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Dirceu organizou e controlou o mensalão, diz acórdão do STF

Data: 17:34h Hora: 15/04

Na VEJA.com:
O resumo acórdão do julgamento do mensalão divulgado nesta sexta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aponta o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu como o responsável pela “organização” e pelo “controle” do esquema ilícito de compra de apoio político do Congresso no primeiro mandato do governo Luiz Inácio Lula da Silva. A Corte condenou Dirceu a dez anos e dez meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha.

“A organização e o controle das atividades criminosas foram exercidos pelo então ministro-chefe da Casa Civil, responsável pela articulação política e pelas relações do Governo com os parlamentares”, afirma o documento. A quadrilha atuou do final de 2002 até junho de 2005, quando o esquema foi revelado pelo presidente do PTB licenciado, Roberto Jefferson. Segundo a publicação, que resume as decisões dos ministros ao longo das 53 sessões do julgamento, ocorrido no ano passado, ocorreu um “conluio entre o organizador do esquema criminoso” e o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

O documento aponta que três publicitários – Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz – ofereceram a estrutura empresarial por eles controlada para servir de “central de distribuição de dinheiro aos parlamentares corrompidos”. O esquema contou com a “participação intensa” da diretora financeira de uma das agências de publicidade, numa referência a Simone Vasconcelos.

O acórdão resumido, disponível na página 39 do Diário da Justiça, anota que nas negociações de compra de apoio político houve a atuação do então presidente do partido que ocupava a chefia do poder Executivo federal, o hoje deputado federal José Genoino (PT-SP), condenado a seis anos e onze meses de prisão. O documento diz ainda que Rogério Tolentino, advogado das empresas de publicidade, também atuou no pagamento de vantagens indevidas a parlamentares corrompidos.

Amplo esquema
Ao longo das treze páginas, o resumo da decisão sustenta que há um conjunto de provas “harmonioso” que comprova o “amplo esquema de distribuição de dinheiro a parlamentares, os quais, em troca, ofereceram seu apoio e o de seus correligionários aos projetos de interesse do governo federal na Câmara dos Deputados”.

Os ministros confirmaram no acórdão que a destinação dada aos milionários recursos recebidos pelos parlamentares, que alegavam ser dívidas de campanha, é “inócua”. “(…) A eventual destinação dada ao dinheiro não tem relevância para a caracterização da conduta típica nos crimes de corrupção passiva e ativa”, afirma. A decisão sustenta que os deputados federais receberam “o dinheiro em razão da função, em esquema que viabilizou o pagamento e o recebimento de vantagem indevida, tendo em vista a prática de atos de ofício”, ou seja, a votação de projetos de interesse do governo.

O documento destaca como provas e indícios que, vistas em conjunto, levaram à condenação dos réus as várias reuniões entre os participantes do esquema na época dos empréstimos fraudulentos tomados no Banco Rural. Os dirigentes dessa instituição, frisa o acórdão, reuniram-se “com o organizador do esquema”, isto é, José Dirceu. O resumo recorda ainda que também participavam desses encontros o publicitário Marcos Valério, o operador do mensalão, e o então tesoureiro do PT, Delubio Soares, “executor das ordens de pagamento aos parlamentares corrompidos”.

Nesta semana, o STF decidiu ampliar o prazo para a defesa dos réus recorrerem da sentença. A partir da terça-feira, os advogados terão dez dias para preparar os recursos – o prazo vai até dia 2 de maio. O prazo só começa a contar na terça-feira porque o acórdão completo só será publicado na segunda-feira no Diário da Justiça, etapa necessária para a efetiva contagem do prazo. O julgamento condenou 25 réus.

Leia o resumo do acórdão no Diário de Justiça

Por Reinaldo Azevedo

Venezuela – Dilma Rousseff embarca alegremente na nau dos insensatos e vai referendar um regime ditatorial e corrupto que mata, censura e esmaga a oposição

Esta é, cada vez mais, a cara do regime venezuelano: uma ditadura bolivariano-militar corrupta e assassina (Foto: AFP)

A presidente Dilma Rousseff embarcou ontem para Lima para participar de uma reunião de emergência da Unasul. Para quê? Para discutir a crise venezuelana? “Crise nenhuma”, respondeu o protoditador da Bolívia e índio de araque, Evo Morales. Ele deixou bem claro: os presidentes sul-americanos estavam sendo recebidos pelo peruano Ollanta Humala para dar apoio incondicional ao ditador Nicolás Maduro.

Participam ainda do encontro os presidentes do Uruguai, José Mujica (aquele que quer estatizar a maconha); da Argentina, Cristina Kirchner (aquela que quer acabar com o Judiciário) e José Maria Santos, da Colômbia, o menos exótico da turma — se não levarmos em conta as plásticas desastrosas que fez. Aliás, eis por que Santos não é mesmo Álvaro Uribe. Este teria dado um jeito de ter uma indisposição estomacal para não participar da patuscada. Rafael Correa só não abrilhanta a reunião porque está em viagem à Europa.

Os sul-americanos decidiram se unir em apoio a Maduro, presente ao encontro, também para dar uma “resposta” aos EUA, que pediram a recontagem da votos para reconhecer a vitória de Maduro. É um arrogância típica do subdesenvolvimento político e moral. Nada a estranhar na política externa brasileira, não é? Lula sempre foi mais ou menos hostil a Washington, mas abraçou com entusiasmo… Teerã, não é mesmo?

Sob suspeita de fraude, Maduro, com cara de bravo e assustado, é proclamado o vencedor. É patético! (Foto: AFP)

Os presidentes pretendem fazer um gesto teatral: acompanharão Maduro de Lima a Caracas para demonstrar que o ditador não está só. É asqueroso! Faz três dias, oito pessoas morreram no país nos protestos contra a forma como se processam as eleições. Não existe liberdade de imprensa na Venezuela. As emissoras de TV e rádio foram estatizadas e vivem sob censura. Os jornalistas da imprensa escrita estão sob permanente ameaça de processo. Milícias armadas intimidam os opositores nas ruas. Caracas é uma das cidades mais violentas do mundo. A Justiça, o Ministério Público e o próprio Poder Legislativo, coalhados de bolivarianos, ameaçam sufocar a oposição também no terreno institucional.

Diosdado Cabello
Para que se tenha uma ideia de como andam as coisas, nesta quinta, Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional, destituiu a oposição da presidência de quatro das quinze comissões da Casa. Também cassou a vice-presidência de outras quatro, embora os oposicionistas contem com 68 das 165 cadeiras (41%). Nota à margem: percentualmente, há mais representantes da oposição na ditadura venezuelana do que na democracia brasileira… É mole?

O Regimento o autoriza a fazer o que fez, e isso só nos diz que o Parlamento venezuelano tem um regimento que nega um dos pilares da democracia, que é o respeito à minoria. Cabello integra a lista das autoridades que, segundo o juiz desertor Eladio Ramón Aponte Aponte, estão comprometidas com o narcotráfico.

O chavismo oferece o “socialismo do século XXI” para esses milionários, mas sabem como é… Eles não querem (Foto:AFP)

Culpa da vítima
As coisas podem se complicar bastante. Justiça e Ministério Público agora querem buscar um caminho formal para responsabilizar o oposicionista Henrique Capriles pela morte de oito manifestantes. Entenderam como é o regime que conta com o apoio e o entusiasmo de Dilma Rousseff? As forças oficiais matam oito pessoas, mas a culpa recai sobre os ombros do líder da oposição. Maduro também ameaça mobilizar seus bate-paus na Justiça e no Ministério Público para tentar cassar do opositor seu mandato de governador do estado de Miranda.

A oposição diz que vai boicotar a posse de Maduro, que acontece hoje. Os presidentes sul-americanos, sob a liderança de Dilma, lá estarão para referendar mortes, censura, truculência e fraude. Em nome da democracia, claro!, e contra a interferência dos EUA. Essa gente é patética, mas é também perigosa.

No Brasil, Dilma criou a Comissão da Verdade; na Venezuela, ela apoia é a soldadesca na rua, que desce o sarrafo e mata. Entendi: ditadura boa é aquela que mata os inimigos…  (Foto: AFP)

Por Reinaldo Azevedo

Recontagem evidencia fraqueza e falta de legitimidade de Maduro

O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela anunciou que fará uma “auditoria” nos votos da eleição de domingo em 100% das urnas. Há aí uma boa e uma má notícia. Já chego lá. Segundo o órgão, 54% das urnas já são normalmente auditados — restariam, portanto, 46%. Tudo é meio confuso, nebuloso, como é comum nas ditaduras. O que vem a ser “auditoria”?

Na Venezuela, os votos são eletrônicos, mas um comprovante em papel é depositado na urna. Auditar significa ver se os votos das urnas físicas correspondem aos eletrônicos e se ambos estão de acordo com o registro oficial. O conselho diz que isso pode demorar um mês. Pergunta óbvia: se é verdade que já se realizou o procedimento em 54% das urnas porque é praxe — e estamos na sexta-feira —, por que os 46% restantes tomariam um mês? O bolivarianismo não é para mentes lógicas.

O órgão que cuida das eleições nega que isso seja uma “recontagem”, como pedia o oposicionista Henrique Capriles. Este, que sabe que não haverá mudança de resultado, diz que é recontagem, sim, e que isso é uma vitória do povo. Nicolás Maduro, o ditador eleito (vejam a que construções nos obrigam os bolivarianos…), chegou a dizer que aprovava a auditoria, mudou de ideia e recuou novamente. A má notícia: vai-se confirmar a vitória do ditador, e ele vai faturar politicamente. A boa notícia: o sucessor de Chávez percebeu que não teria vida fácil e descobriu que as eleições, da forma como as realiza o chavismo, já não legitimam mais ninguém. Ou por outra: o chavismo está morto.

Por que afirmo isso? Porque o regime dependia da existência de um líder carismático, com laivos de messianismo. Se vocês me indagarem de onde vinha o tal “carisma”, a minha resposta é simples: não sei! Talvez seja preciso ser um venezuelano para entender, ainda que antichavista. O fato é que o Beiçola de Caracas conseguiu estabelecer uma relação com boa parte da população que não era mais mediada pela realidade, mas pelos amanhãs sorridentes que ele prometia. Esse tipo de coisa não se transfere. “Ah, mas e os programas sociais?” É claro que o assistencialismo teve um peso grande na captura dos mais pobres, mas Chávez tinha conseguido ir um pouco além deles. O que se nota na Venezuela é que a clientela não preferencial do chavismo desembarcou de vez e que mesmo os setores dominados para fala encantatória do tirano começam a desertar.

A recontagem — ou auditoria — obriga Maduro a uma espécie de humilhação a que Chávez jamais se submeteria, e aí está uma evidência de que o atual ditador não é, definitivamente, o antecessor, menos ainda seu herdeiro. Capriles, e é fato, pode dizer que conseguiu dobrar a intransigência do governo, ainda que nada vá mudar no resultado final — ou alguém acha que a cúpula bolivariana condescenderia com o procedimento se houvesse algum risco?

Já escrevi aqui e reitero: ainda que tenha havido fraudes na eleição propriamente — e é certo que houve —, elas são menos relevantes do que a fraude essencial: as condições desiguais em que se realiza o pleito. Só os chavistas têm direito a usar os meios de comunicação para fazer campanha, e milícias armadas dominam as áreas pobres da capital. Já demonstrei aqui que a oposição venceu a disputa em seis dos nove departamentos com mais de um milhão de habitantes. Capriles ficou na frente em apenas oito departamentos; Maduro, em 16 — o dobro. Mas o tirano conseguiu uma vantagem de pouco mais de 1,5 ponto percentual no país como um todo. A Venezuela mais urbana já se despede do chavismo. No Distrito Federal, que inclui a capital, a diferença foi de pouco mais de 3 pontos em favor do governo, embora seja a região que concentra as milícias e que reúne a esmagadora maioria dos pobres encabrestados pelo assistencialismo.

O governo da Venezuela é ditatorial, corrupto e está infiltrado pelo narcotráfico, conforme denuncia o ex-presidente da corte suprema do país, que fugiu. Ele próprio, um ex-chavista, disse ter colaborado com o narcotráfico a serviço do governo.

Para se manter no poder, Maduro terá de contar cada vez mais com o apoio da banda podre das Forças Armadas. A ditadura bolivariana, embora iniciada por um coronel, chegou a ter ares de fascismo civil. A cada dia, fica mais com a cara de uma ditadura militar típica da América Latina.
Por Reinaldo Azevedo

Milhares vão às ruas contra Cristina Kirchner e a “domestikação” da Justiça

Cartazes mostram insatisfação de manifestantes com o governo de Cristina Kirchner  (Foto: Daniel Garcia/AFP)

Na VEJA.com:
Milhares de manifestantes saíram às ruas de Buenos Aires nesta quinta-feira para protestar, mais uma vez, contra o governo de Cristina Kirchner. Um dos principais alvos das reclamações é a reforma judicial enviada ao Congresso na semana passada, que é vista pela oposição como uma tentativa do governo de controlar o Poder Judiciário. Os manifestantes de diferentes setores de oposição seguiram até a Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede do Poder Executivo.

Muitos cartazes com mensagens como “2015 sem Cristina”, “Não ao autoritarismo” e “DiKtadura”, podiam ser vistas no meio da multidão, que também realizou o tradicional panelaço. Nas imediações do Obelisco, que fica na principal avenida da capital, também havia cartazes com as frases: “Corruptos fora”, “O povo está vivo, o modelo está morto” e “Não domestiKar a Justiça”, informou o jornal La Nación. Outros pontos de reclamação dos manifestantes são a insegurança, a inflação, as dificuldades para a compra de dólares e o uso abusivo da rede nacional para pronunciamentos oficiais.

Esta é a terceira mobilização popular em menos de um ano contra o governo Kirchner – as outras foram realizadas em 13 de setembro e 8 de novembro. Nesta, ao contrário das anteriores, partidos de oposição participam de forma ativa. “Agradeço a Deus por este povo ter saído a defender a liberdade. Precisamos não ter medo”, disse a deputada Elisa Carrió, da Coalizão Cívica.

A ideia da passeata havia nascido há mais de um mês, mas só foi difundida nas redes sociais depois das mortes em razão das inundações em La Plata, informou o jornal Clarín. Os manifestantes reclamam da falta de investimento do governo em infraestrutura. Ao longo da marcha, ouviu-se o hino nacional e foi aberta uma enorme bandeira da Argentina, com uma faixa negra em sinal de luto.

Além de Buenos Aires, o protesto também ocorre em outras localidades do país, como La Plata, Cordoba, Mendonza, Santa Fe, Rosario e Salta. Também houve protestos fora do país. Em frente à embaixada argentina em Londres, uma centena de argentinos levaram cartazes com os dizeres: “Argentina sem Cristina”, “Basta de corrupção”, “Honestidade”, “Respeito à Constituição”. Entre os manifestantes, ex-exilados políticos, advogados, aposentados, estudantes, turistas.

Uma das participantes, a deputada Patricia Bullrich, da União por Todos, disse que a oposição argentina deveria tentar se unir, usando como exemplo o setor anti-governista da Venezuela, liderado por Henrique Capriles. “Temos que fazer como na Venezuela, nos unir o máximo para frear o governo”.

Cristina Kirchner, aliás, não está no país. Ela viajou a Lima, para participar da reunião extraordinária convocada pela Unasul exatamente para discutir a delicada situação política na Venezuela. E nesta sexta, acompanhará em Caracas o juramento de Nicolás Maduro como presidente venezuelano.
Por Reinaldo Azevedo

BC agiu tarde para conter inflação, diz “The Economist”

Na VEJA.com:
O Banco Central (BC) agiu tarde para controlar a inflação, de acordo com uma reportagem publicada na nova edição da revista britânica The Economist desta quinta-feira. Com o título “Atrás da curva”, a reportagem diz que o BC “age tardiamente para trazer os preços de volta ao controle”. “Um banco central sabe que perdeu o controle das expectativas de inflação quando o aumento de preços vira motivo de piada. No Brasil, as piadas foram com o tomate, que ficou muito caro após inundações, secas e o aumento nos custos do frete”, diz o texto.

“Mas os números publicados em 10 de abril (IPCA) mostram que o problema da inflação vai muito além da salada”, de acordo com a publicação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou março com alta de 6,59% em 12 meses, acima da meta do governo, de 6,5% – e mais de dois terços dos preços consultados para o cálculo da inflação subiram em março.

Uma das razões para o BC ter mantido o juro estável por tanto tempo, de acordo com a reportagem, era a leitura de que a inflação era alimentada por pressões transitórias, como a moeda mais fraca e o pico da comida. Diante do cenário, a The Economist diz que o aumento do juro anunciado nesta quarta-feira foi “tardio” e num momento em que a economia não dá sinais de força. “Menos empregos estão sendo criados. A produção industrial e o Índice de Atividade Econômica caíram em fevereiro. O núcleo das vendas no varejo caiu pela primeira vez em quase uma década, um sinal particularmente preocupante, dado que apenas o consumo doméstico manteve o Brasil fora da recessão em 2012.”

De acordo com a revista, ainda que atrasado, o aumento do juro “sugere que o BC reconhece que precisa recuperar alguma credibilidade perdida”. “Sua independência operacional tem sido questionada desde agosto de 2011, quando cortou as taxas mesmo com a inflação em 7,1% – e manteve os cortes mesmo com a inflação acima da meta”, diz. “A presidente Dilma Rousseff tem alardeado, desde então, que as taxas de juros mais baixas são uma ‘conquista’ do governo.” A reportagem diz ainda que a inflação alta tem atingido, especialmente, as famílias de menor renda, o que pode prejudicar Dilma nas eleições de 2014.
Por Reinaldo Azevedo

Escândalos do PT – Depois do Zé Linguiça, chegou a vez do Zé Formiga

O escândalo do mensalão trouxe à luz a figura do “Zé Linguiça”, um assessor do então deputado Luizinho. A defesa alegou que foi o dito-cujo que acabou fazendo o saque de R$ 20 mil da conta de Marcos Valério. Luizinho acabou inocentado. Agora chegou a vez do Zé Formiga. Leiam o que informam Mario Cesar Carvalho e José Ernesto Credendio, na Folha:
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O líder do governo DIlma Rousseff na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), é apontado por um lobista apanhado em operação da Polícia Federal como responsável por direcionar verbas para empresas que financiavam candidatos do PT. Além disso, um ex-chefe de gabinete de Chinaglia, identificado como Eli, é citado como intermediário de uma reunião na qual a empreiteira Leão Leão buscaria recursos do BNDES. Em troca da verba, a empreiteira apoiaria a campanha de um assessor de Chinaglia, o Toninho do PT, em Ilha Solteira (SP).

Chinaglia aparece em escutas da Operação Fratelli, do Ministério Público Federal e do Estadual. Os alvos da operação são fraudes em licitações que somam R$ 1 bilhão em dinheiro federal. As verbas, oriundas de emendas parlamentares, eram dos ministérios das Cidades e do Turismo. Nas escutas telefônicas há menções a três deputados do PT na operação: além de Chinaglia, Cândido Vacarezza e José Mentor. Os petistas são autores das emendas sob suspeita. Todos dizem que não têm ligação com as supostas fraudes. O procurador Thiago Lacerda Nobre vai encaminhar os trechos da investigação sobre Chinaglia ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Também serão enviadas as menções a Vacarezza e Mentor.

Campanha
O suspeito que cita Chinaglia é Gilberto Silva, também conhecido como Zé Formiga, acusado pela polícia de ser “lobista do PT”, segundo os documentos obtida pela Folha. Silva, que ficou uma semana preso, foi monitorado pela polícia e, de acordo com o relatório das investigações, acompanhou Chinaglia em “campanhas eleitorais, principalmente na captação de dinheiro junto a empresários que pudessem se beneficiar de seus candidatos apadrinhados”.
Por Reinaldo Azevedo

Justiça decreta prisão de 13 envolvidos na ‘máfia do asfalto’

Na VEJA.com:
A Justiça Federal decretou nesta quinta-feira a prisão preventiva de treze investigados pela Operação Fratelli, que apura um esquema de fraude em licitações no interior de São Paulo envolvendo empresários e agentes públicos.

Na última terça-feira, o Ministério Público Federal denunciou dezenove pessoas envolvidas na chamada “máfia do asfalto”, especializada em desvios nos contratos de pavimentação e recapeamento de asfalto em municípios do noroeste do estado de São Paulo. De acordo com as investigações, o valor desviado pode chegar a 1 bilhão de reais e envolve oitenta cidades paulistas. O grupo foi denunciado pelos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica e fraudes em licitações.

Segundo o Ministério Público, quatro das treze pessoas foram presas até a tarde desta quinta-feira – as demais são consideradas foragidas. Os investigados já haviam sido presos temporariamente na semana passada, mas foram soltos na última segunda por determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo.

“As empresas do grupo econômico investigado fraudaram e superfaturaram inúmeras licitações. Houve lesão à livre concorrência, o que prejudica a ordem econômica”, afirma o procurador da República Thiago Lacerda Nobre. Segundo ele, o grupo “possui contatos influentes nas mais diversas esferas de poder, sendo certo que, uma vez em liberdade, causaria enorme transtorno para a instrução penal”. “Se mantidos em liberdade, eles podem fazer uso de seu poder e influência para intimidar eventuais testemunhas e destruir ou ocultar provas, tumultuando o andamento processual”, completou.

O esquema
De acordo com as investigações, o esquema de fraudes era centralizado pela empreiteira Demop, com sede em Votuporanga (SP), que possui mais de 30 empresas parceiras, muitas delas de fachada e todas pertencentes à família Scamatti. Essas empresas participavam de licitações públicas, mas esses certames eram fictícios já que as concorrentes eram do mesmo grupo empresarial. “Eram simulacros de licitações”, diz o procurador Thiago Lacerda Nobre.

As obras públicas receberam recursos dos Ministérios do Turismo e das Cidades por meio de emendas de deputados ao Orçamento da União. De acordo com as investigações, como as licitações eram direcionadas e as obras foram superfaturadas, o dinheiro público era rateado entre os integrantes do esquema.

Políticos
Relatório da Operação Fratelli mostra que o grupo acusado tinha tentáculos no meio político. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, os documentos transcrevem telefonemas de Gilberto da Silva, o Formiga, apontado como “lobista do PT” na região de São José do Rio Preto (SP). Ele cita emendas do deputado Arlindo Chinaglia (PT), líder do governo na Câmara dos Deputados.

Nos grampos telefônicos, Formiga foi flagrado contando a um aliado sobre suposto encontro com Chinaglia e Toninho do PT, ex-assessor do deputado petista e eleito vereador de Ilha Solteira (SP). No dia seguinte, Formiga diz que se reuniu com Toninho do PT. “Ele (Toninho) disse que dá para pôr um monte de recurso lá”, diz. O lobista afirma também que durante um final de semana “carregou o Arlindo para todo lugar na região”. Chinaglia negou ter vínculos com o lobista e afirmou que não conhece Oívio Scamatti, dono da empreiteira Demop e apontado pela PF como chefe da quadrilha.

Também são citados nas investigações os deputados petistas Cândido Vaccarezza e José Mentor. Ambos negam envolvimento no esquema. Nas eleições de 2010, Mentor recebeu doação de 550 000 reais da empresa Demop.
Por Reinaldo Azevedo

Os petistas e o assassinato de um “classe-média”. Ou: Pobre dar tiro na cabeça de um “classe-média” é justiça social?

É mesmo uma pena para os brasileiros o fato de as oposições, no Brasil, serem tão moles com o PT, tão condescendentes, tão temerosas — às vezes, beirando a pusilanimidade. Mais nefasto ainda para a população é o fato de os adversários do petismo — tucanos em particular — passarem mais tempo praticando tiro ao alvo contra os próprios parceiros do que combatendo os reais adversários. Não fosse assim, o debate no país seria mais qualificado, e certo absurdos não seriam praticados.

No post anterior, comento um texto publicado num site do PT sobre a intervenção da presidente da Fundação Casa na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia. Naquele mesmo texto, lê-se esta pérola:


Comento
Estranho seria se um debate como esse surgisse quando “ALGO NÃO ACONTECE”. Desde que o homem iniciou sua trajetória neste “planetinha” (como Lula chamou a Terra, certa feita, deixando claro que ela já é pequena demais pra ele), tende a oferecer respostas para “algo que acontece”. O texto só é troncho desse modo porque, no fundo, o que aquela senhora está dizendo é outra coisa: “Esse debate acontece sempre que é assassinado alguém de classe média”.

Na verdade, os petistas — e alguns perturbados morais da imprensa — consideram que estamos diante de uma expressão da luta de classes. O pensamento subjacente é o seguinte: “Quando morre um pobre, ninguém liga!” Quem disse que não? “Ah, mas tem menos visibilidade!” Pode ser, mas não por preconceito. Pergunta: se a lei punir com mais rigor o menor assassino, ela será aplicada para todos os menores assassinos ou só para aqueles que matarem jovens “de classe média”? A impunidade no Brasil, já escrevi aqui, também é matéria de (in)justiça social: quem fornece a carne barata dos 50 mil homicídios por ano no país são os… pobres!

Mas entendo a alma petista. No fundo, eles acham que a “classe média” não tem de reclamar quando um dos seus leva um tiro na cabeça. Esquerdistas dessa espécie e boa parte dos intelectuais subacadêmicos têm nojo disso que chamam “classe média”; acham que ela é a pura expressão do reacionarismo e do conservadorismo. No fundo, esses delinquentes morais acham que um “pobre”, como o Dito-Cujo, ao matar um “classe-média”, como Victor Hugo Deppman, está praticando uma variante da justiça social — um pouco bruta, claro!, mas justiça ainda assim.

Essa visão de mundo deveria ser devidamente tratada nos programas políticos e eleitorais do adversários do PT — desde que estes não pensem a mesma estupidez, é claro! Não para fazer um debate histérico, raivoso, desinformado. Mas para gerar, justamente, luz. Quem são as pessoas que acham razoável que se coloque a condição de “classe média” de Victor Hugo Deppman acima da sua vida?

E que se note: Deppman era um garoto de 19 anos, que trabalhava para sustentar os próprios estudos. Não era um desses “porcos capitalistas” que o PT tanto execrava no passado e que hoje trata a pão de ló. Mas esperem: ainda que fosse, seria, de algum modo, aceitável que levasse um tiro na cabeça?

Que acusação os petistas tinha contra Deppman? Ser um “classe média”?

Trata-se de um texto covarde — porque não diz inteiramente o que pretende dizer — e asqueroso porque diz o suficiente para que possamos entender o que efetivamente disse.
Por Reinaldo Azevedo

Os assassinos, o córtex pré-frontal e a velha luta de classes. Ou: Se presidente da Fundação Casa disse o que lhe atribui o PT, Alckmin tem de demiti-la; se não disse, ela tem de cobrar que o PT diga a verdade

O PT tem uma multidão de sites e páginas na Intenet. Um deles é o Linha Direta,da seção paulista do partido. Traz um texto com considerações sobre a participação, nesta terça, da presidente da Fundação Casa, Berenice Maria Gianella, numa reunião da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, onde esteve a convite do PT. Se Berenice falou mesmo o que lhe atribuem os petistas, tem de ser demitida pelo governador Geraldo Alckmin; se não falou, tem de cobrar com energia a correção. O texto também é notável por referendar a delinquência moral segundo a qual o assassinato de alguém de classe média, como era o caso de Victor Hugo Deppman, é uma espécie de taxa que se deve pagar à miséria brasileira. Já chego lá. Comecemos por Berenice.

Segundo o texto dos petistas, ela afirmou o seguinte:
“Punir mais fortemente [os que cometem crimes graves] não vai surtir o efeito que histéricos do lado de lá imaginam.”

A proposta do seu chefe, o governador Geraldo Alckmin, não é reduzir a maioridade penal, como se sabe, mas é, sim, e está correto, “punir mais fortemente” os ditos “menores infratores” que cometem crimes hediondos. Se ela acha que só “histéricos” imaginam que isso possa ter um efeito positivo, é o que pensa daquele que a mantém num cargo de confiança. E, pois, “de confiança”, ela não é mais. É simples assim. Se não fez essa afirmação, então que exija que o PT faça uma nota pública de correção.

Afirma ainda o site do PT sobre a intervenção de Berenice:
“Questionada pelo presidente da Comissão, deputado Adriano Diogo, sobre sua posição com relação ao tema, Berenice afirmou que o Brasil pune, sim, os jovens infratores e, muitas vezes, de maneira mais rigorosa do que pune os adultos.
Ela deu como exemplo o caso de roubo qualificado, em que a penalidade para menores é maior de que a cominada a um adulto, que recebe 5 anos e quatro meses de pena, podendo ficar em regime semiaberto se for primário (e cumprido 1/6 da pena, pode haver progressão para o regime aberto), enquanto o menor fica internado cerca de dez meses.
Além disso, Berenice deixou claro que as infrações cometidas por menores correspondem a cerca de 10% dos crimes cometidos por adultos e que, entre essas infrações, apenas 0,9% são latrocínio.
Outro ponto a ser considerado é o amadurecimento da região frontal do cérebro, que se dá por último, e onde estão situados os limites e freios.”

Retomo
Ainda que seus números sejam verdadeiros, indago: o que quer dizer “apenas 0,9% são latrocínio”??? Porcentagem pode ser apenas uma maneira de esconder os fatos. Esse 0,9 significa 88 pessoas. Sim, há 88 pessoas que estão na Fundação Casa porque não se contentaram em roubar. Também decidiram matar suas vítimas. Desse total, 33 têm mais de 18 anos. Como podem ficar internadas no máximo 3 anos — com a possibilidade de se estender um pouco o prazo, mas nunca acima dos 21, o que temos:
– os crimes foram cometidos na faixa dos 16, 17, sim, senhores!
– em um ano, dois no máximo, haverá nas ruas 33 homicidas soltos. Suas respectivas fichas estarão limpas como a dos santos (ou melhor: não, né?; boa parte dos santos tinha a “ficha suja” com o poder de seu tempo).

De resto, há um truque vigarista aí: LATROCÍNIO É APENAS UM DOS CRIMES GRAVES QUE MENORES PODEM COMETER. E o sequestro relâmpago? E o estupro? E o homicídio qualificado? Resumir a questão ao latrocínio é estupidamente simplista. Mas, reitero, ainda que fosse assim: apontem uma boa razão para que uma vida humana custe três anos de internação “no máximo”.

Córtex pré-frontal
Quanto à questão do “córtex pré-frontal” (e não “região frontal” do cérebro), dizer o quê? Observou com acerto Contardo Calligaris que é o caso, então, de se manter a inimputabilidade do criminoso até os 25 anos, que é quando se conclui o seu desenvolvimento. Poucos debates são tão estúpidos como esse.

Haver no adolescente uma tendência maior à irritação e ao impulso por causa de um córtex pré-frontal ainda em desenvolvimento não se confunde com ausência de princípio moral. Trata-se de uma tentativa estúpida de “medicalizar” ou de “naturalizar” o comportamento criminoso. Ora, fosse assim, seria o caso de manter esses seres perigosos sob estrita vigilância, não é? Em nossas respectivas casas, deveríamos reservar jaulas, não quartos, para as crianças.

Se há uma base material, física, que determina um certo comportamento, há de se perguntar, então, por que até mesmo entre os delinquentes, os crimes graves são obra de uma minoria. “Existem as questões sociais…” Não estarão elas presentes também entre os que não delinquem? “Mas e se for uma lesão?” Bem, aí é o caso de recorrer a outros expedientes, não? Ou pessoas com lesões que as predispõem ao homicídio ficarão soltas por aí???

A questão da formação do cérebro virou o último e único argumento dos que, no fundo, não aceitam abrir mão do que é uma posição ideológica. As esquerdas insistem — se Berenice está nessa, tem de se juntar à sua turma — que o crime e só uma outra expressão da luta por mais justiça e igualdade. É uma estupidez até do ponto de vista da esquerda, digamos assim, clássica. Vá ver o que Lênin — o grande inspirados dessa gente — pensava dos bandidos comuns e o que achava que se devia fazer com eles… Mas ele era um homicida compulsivo; nós não somos.

Histérica é essa gritaria que busca supostamente “proteger o menor”. O mais curioso e estúpido nisso tudo é que, quando se fala em “o menor”, pensa-se naquele que não mata ninguém, que não sequestra, que não estupra. Ora, ninguém está querendo molestar essa gente! A pena mais rigorosa é para quem, a exemplo do Dito-Cujo que matou Victor Hugo Deppman, não vê mal nenhum em tomar o celular da mão da vítima e lhe estourar os miolos em seguida.

Se Berenice pensa mesmo o que o PT lhe está atribuindo, perdeu a clareza para dirigir a Fundação Casa. Não sei quantos lá cometeram crimes hediondos (além do 0,9% que praticou latrocínio). Digamos que sejam 3%. É preciso diferenciá-los, então, dos outros 97%.

De resto, a Fundação Casa é uma instituição paulista. A lei terá alcance federal. Se há 88 menores detidos por latrocínio em São Paulo, quantos há no Brasil? Quantos homicidas estarão soltos dentro de um ou dois anos? A lei não muda o córtex pré-frontal de ninguém, mas, ao cortar a recompensa e aumentar a punição de quem mata ou sequestra, faz com que outros potenciais praticantes de crimes hediondos reflitam um pouco mais. A menos que esses gênios provem que aquela região do cérebro responde por 100% do comportamento adolescente.

Ademais, seria o caso de o Brasil, com seus 50 mil homicídios por ano, a maioria impune porque o Estado brasileiro é uma piada de mau gosto, denunciar na ONU países como a Inglaterra, o Japão, a Finlândia, a Noruega, a Suécia, o Canadá e os Estados Unidos. Acusação: agressão aos direitos humanos por não respeitar as vicissitudes do córtex pré-frontal dos adolescentes…
PS: No próximo post, comento o texto petista que lembra que Victor Hugo Deppman era de “classe média”.

Por Reinaldo Azevedo

Um cachimbo multiétnico na Câmara. Ou: “Tem índio de toda cor, tem índio de toda f酔

Ai, ai, que coisa pitoresca!

Vejam estas duas fotos de autoria de Lana Regis. Volto em seguida.




Nesta terça, ontem, um grupo de índios — e de nem tanto… — invadiu o plenário da Câmara dos Deputados. Eles querem impedir que seja instalada a Comissão Especial para discutir a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215 e pedem a revogação da Portaria 303 da Advocacia Geral da União.

Certo! Do que tratam uma e outra? A PEC transfere para o Congresso Nacional a responsabilidade última sobre a demarcação e homologação de terras indígenas. Hoje, fica a cargo da Funai. Diga aí, leitor: quem você acha que tem mais representatividade e expressa com mais clareza o povo brasileiro? Uma simples autarquia federal ou o Parlamento brasileiro? O sindicalismo indígena (existe isso…) é contra, assim como as ONGs, as esquerdas etc. Querem que tudo continue como é hoje. Surge lá um laudo antropológico assinado por um “famoso quem”, vazado em linguagem militante, e pronto! Decide-se que uma área é terra indígena e acabou! Sim, eu sei, no princípio era tudo dos índios… Mas não tenho como voltar no tempo para dar um pé no traseiro dos europeus que vieram espalhar por aqui sua semente, né? E deixo claro: eu sou uns 40% índio… Vou pedir parte do Litoral Norte de São Paulo pra mim e quero tudo desocupado, de Barra do Una até Toque Toque Grande. Fosse 100% índio, pediria é tudo…

Já a Portaria 303 define que os critérios estabelecidos pelo STF para a Raposa Serra do Sol valem para as demais demarcações. Também não serve pra eles. Preferem a mar de subjetivismo de hoje. É indígena o que a militância diz que indígena. E pronto! Bem, eu, é claro, defendo os dois textos.

O fato é que a invasão do plenário aconteceu, o que gerou um esparramo de deputados. Segundo li, a ex-senadora Marina Silva estava lá para tratar da sua “Rede” e também picou a mula, como se diz lá em Dois Córregos. Ela é povo da floresta, mas não é besta. Entre engatar um discurso sobre a o valor da transversalidade na era dos sonháticos e sair correndo, prudentemente, saiu correndo. Fez bem. Vejam o vídeo. Retomo depois.



Volto
Como na musica “Festa”, cantada por Ivete Sangalo, tinha índio de tudo que era jeito. Alguns, ali, haviam acabado de se converter… O penacho estava mais para a rua 25 de Março do que para a estética silvícola. Adapto a música de Ivete:

Tem índio de toda cor
Tem índio de toda fé
Guitarras de rock’n roll
Batuque de candomblé…

Vai lá, prá ver…
A tribo se balançar
E o chão da terra tremer

Agora as fotos
E havia também as figuras que vocês veem lá no alto, fumando sabe-se lá o quê num cachimbo. Um era índio; o outro, suponho, fotógrafo de índio, envergando, assim, um figurino já mais pós-moderno, coisa de tribo urbana. E havia aquele senhor cabeludo e rechonchudo, mas que evoca os deuses na floresta numa boa, como a gente vê.

Sim, é proibido fumar nas dependências da Câmara, como é em qualquer órgão público hoje em dia. Parece que a lei não vale para o fumo ritual, sabem?, para a evocação dos deuses ancestrais. Alguns dos presentes até chegaram a pensar que já tinham sentido aquele cheiro antes, mas, na hora, a memória falhou.

Vai lá, prá ver…
A tribo se balançar
E o chão da terra tremer

Sou progressista
Depois que descobri que Fernando Haddad baba quando falam meu nome, decide ser também progressista, a exemplo de boa parte dos meus coleguinhas.  Não me interessa se o cara é índio ou não. O que interessa é que se sinta índio. Não importa a sua origem leitor; o que importa é fumar o cachimbo e libertar o Touro Sentado que existe em você…

E vai rolar a festa, vai rolar…

Ah, sim
Vejam esta outra foto:


É um detalhe do painel “Alegorias de Brasília”, que Di Cavalcanti pintou especialmente para o Palácio do Congresso. Resolveram sujá-lo com urucum, um tintura, assim, dos povos da floresta, entenderam? No dia em que a gente tiver de devolver tudo para os índios… Ooops! No dia em que vocês tiverem de me devolver tudo, estepaiz conhecerá o fim do eurocentrismo. Vamos passar urucum até no corpo do embalsamado… “Que embalsamado?” Esperem pra ver…
Por Reinaldo Azevedo

Duas fotos, dois protestos; um é democracia; o outro é gritaria fascistoide. Ou: O regime democrático, a forma e o conteúdo

Vejam estas duas fotos.

 

A primeira retrata militantes cobrando, a seu modo, a saída do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. A segunda registra o protesto pacífico e silencioso feito por um grupo de evangélicos, nesta quarta, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Eles pedem que os condenados João Paulo Cunha e José Genoino deixem a CCJ. 

E aí?
Muitos são contrários à permanência de Feliciano numa comissão. Muitos são contrários à permanência de João Paulo e Genoino na outra comissão. Muitos gostam de Chicabon. Outros preferem o sorvete que é de uva… Na democracia, respeitados os parâmetros constitucionais, a forma é mais importante do que o conteúdo. Na democracia, as pessoas divergem sobre conteúdos e concordam na forma. A alternativa é o estado da natureza, todos contra todos. “Então, sendo educadinho, tudo pode?”, pergunta o petralha anarfa. Não! Estabeleci ali o limite na oração subordinada adverbial condicional reduzida de particípio: “respeitados os parâmetros”. Para entender o que escrevo, petralhas, é preciso ficar atento às sutilezas das reduzidas de particípio! Na língua, o conteúdo é tão importante quanto a forma.

Os evangélicos disseram o que pensam.
Os evangélicos não impediram os trabalhos.
Os evangélicos se opuseram à presença dos dois condenados, mas respeitaram o Congresso, que é maior do que Feliciano, que é maior do que João Paulo e Genoino,  que é maior do que os evangélicos, que é maior do que os católicos, que é maior do que os gays, que é maior do que criminosos sacramentados pela Justiça, que é maior do que as corporações de ofício, que é maior dos que as corporações de gosto…

Dá para entender a diferença entre a democracia e a bagunça fascistoide? Dá para entender a diferença entre quem é contra o que o outro pensa ou representa e se manifesta de forma pacífica e quem tenta intimidar, calar, agredir, enxotar?

Dicas e perguntas
Fiquem atentos. Será que essa manifestação silenciosa vai parar na primeira página dos jornais? Se não for, é sinal de que, entre o protesto democrático e as falanges fascistoides, os jornais escolheram a segunda alternativa, e aí é hora de você escolher melhor os jornais. Será que essa manifestação silenciosa vai parar nas televisões? Se não for, é sinal de que, entre o protesto democrático e as falanges fascistoides, as televisões escolheram a segunda alternativa, e aí é o caso de escolher melhor a TV. Mais dia, menos dia, chegará a hora de discutir o “controle da mídia”. Os meios de comunicação podem estar, também eles, escolhendo a interlocução: truculência, gritaria, xingamento, demonização do outro… ou democracia.

“Não respondo a provocação”, afirmou Genoino, segundo leio na Veja.com, ao deixar rapidamente o plenário. Provocação? Qual provocação?

Quero encerrar deixando bem claro uma coisa: eu não estou igualando as duas situações porque igualáveis elas não são. José Genoino foi condenado em última instância por corrupção ativa e formação de quadrilha. João Paulo Cunha foi condenado em última instância por corrupção ativa, peculato e lavagem de dinheiro. Feliciano não foi condenado por nada até agora, em instância nenhuma. Concorde-se ou não com o que ele pensa, e eu não concordo, sua presença numa comissão não é afronta nenhuma à democracia. As de João Paulo e Genoino são um escárnio. Um futuro presidiário e outro que só não irá em cana porque inexistem instituições para o regime semiaberto no país julgarem a constitucionalidade e a justiça de dispositivos legais é coisa de republiqueta, de país bananeiro, de nação controlada por uma súcia.

Parabéns aos evangélicos. É assim que se faz.

Por Reinaldo Azevedo

Ditador venezuelano anuncia apoio integral de Lula, que aproveitou para atacar os EUA. Há 49 anos, o “Porco Fedorento” proclamava na ONU: “Fuzilamos, estamos fuzilando e fuzilaremos”. É o herói dos nossos progressistas, inclusive do Supercoxinha!

Nojo!

O, atenção para o nome do órgão, Ministério do Poder Popular para a Informação e a Comunicação emitiu um comunicado, em nome do “Governo Bolivariano da Venezuela”, anunciando o apoio integral de Luiz Inácio Apedeuta da Silva ao assassino Nicolás Maduro, ditador da Venezuela, que assumiu o poder em razão de um golpe de estado e nele vai se manter em razão de eleições fraudadas.

Segundo a ditadura, Lula afirmou o seguinte:
“Quando a gente está no cargo de presidente, há coisas que não se podem dizer, por diplomacia, mas, agora, eu posso dizer: de vez em quando, os americanos se dedicam a pôr em dúvida a eleição alheia. Deveriam se preocupar consigo mesmos e deixar que nós elejamos o nosso destino”.

Eis aí. Lula fez essa afirmação no evento de ontem em Belo Horizonte, mais um que comemora os 10 anos do PT no poder. Estava ao lado da presidente Dilma Rousseff, que já havia dado os parabéns ao assassino.

O Apedeuta, como se nota, faz uma alusão às críticas feitas pelos EUA, que pedem a recontagem dos votos, já que há milhares de acusações de fraude, numa eleição já disputada em condições absolutamente desiguais.

Um vídeo
Em 11 dezembro de 1964, Che Guevara, o Porco Fedorento, discursou na ONU em nome do governo cubano. Os mais antigos, como eu, já leram o discurso. Os jovens talvez o ignorem. Ouçam. Volto em seguida.



Explico
Em 1964, a Venezuela era uma democracia, governada por Raúl Leoni, que havia sido eleito em 1963. Sucedia outro governo igualmente sufragado pelo povo, em 1958. Até esse ano, o país havia conhecido apenas nove meses de um governo saído das urnas, entre fevereiro e novembro de 1948.

Muito bem! O governo democrático da Venezuela enfrentava a luta armada de vários grupos terroristas, que se inspiravam em Cuba. E o que fez a ditadura cubana? Acusou, ora vejam!, o governo venezuelano de praticar genocídio… Houve excessos das forças de segurança, admitidos pelo próprio governo, que os condenou. Mas, obviamente, não havia morticínio em massa. Tratava-se apenas de uma das muitas fraudes históricas perpetradas pelas esquerdas.

Pois bem: o governo democrático da Venezuela reagiu à acusação, lembrando que o governo cubano era notório, ele sim, por fuzilar seus adversários. E é então que o Porco Fedorento, o “Chancho”,  o poeta do homicídio, aquele que descreveu com incrível prazer o movimento de uma bala que penetra de um lado do crânio e sai do outro (e ele era médico); aquele que confessou ter roubado um relógio de um homem que acabara de matar; aquele que acreditava que o homem deveria se transformar “numa fria e implacável máquina de matar”, motivado pelo ódio, eis que um vagabundo desse naipe afirma o seguinte na ONU:

“Nós temos que dizer aqui o que é uma verdade conhecida, que temos expressando sempre diante do mundo: fuzilamentos, sim! Fuzilamos, estamos fuzilando e seguiremos fuzilando até que seja necessário. Nossa luta é uma luta até a morte. Nós sabemos qual seria o resultado de uma batalha perdida e os vermes também têm de saber qual é o resultado da batalha perdida hoje em Cuba. E vivemos nessas condições por imposição do imperialismo norte-americano. Isso, sim, mas assassinatos não cometemos, como comete neste momento a policia política venezuelana que, creio, recebe o nome de Digepol se não estou mal informado. Essa polícia cometeu uma série de atos de barbárie, de fuzilamentos, ou melhor, de assassinatos, e depois atirou os cadáveres em alguns lugares (…)”

A íntegra do discurso do vagabundo, em espanhol, está aqui. Na sequência, acreditem, ele critica o governo da Venezuela por aquilo que chama censura à imprensa. Em 1964, como ele mesmo confessa, não só não havia imprensa livre em Cuba como os adversários do regime eram fuzilados.

Poucas falas retratam com tanta precisão o horror moral da esquerda armada, e de seus herdeiros intelectuais, como essa. Notem que Che Guevara não acredita na existência de adversários, mas de “vermes”. Ora, se vermes são, então podem e devem ser eliminados. Seus fuzilamentos são parte da luta; os dos outros, crimes. Mais: ele diz que mata porque venceu e proclama que o outro lado faria a mesma coisa se tivesse vencido; logo, sua fala legitima tanto a própria brutalidade como a alheia. E pensar que os partidários desses pulhas ficam hoje, por aí,  a arrotar a sua moral vitimista, cobrando reparações. Tivessem ganhado aqui a batalha, Che Guevara informa o que teriam feito com os adversários — e não haveria, por certo, “Comissão da Verdade”. Antes que algum cretino se assanhe a dizer que estou defendendo tortura, digo: “Uma ova!”. Defendem a tortura, o assassinato e o fuzilamento os que perfilam com Che Guevara, não eu. Só estou evidenciando o que queriam aqueles anjos da morte.

Cinquenta anos depois, Nicolás Maduro, em nome de ideais derivados aquele Porco Fedorento, continua a fuzilar pessoas nas ruas. E, herança do mesmo chiqueiro moral, diz que o faz em nome da “revolução bolivariana”, que ele ameaça radicalizar.

Luiz Inácio Apedeuta da Silva lhe dá integral apoio. Dilma também. Vale dizer: ambos legitimam a morte de pessoas que só estavam protestando contra uma fraude eleitoral escancarada.

Assim, quando vejo as Dilmas, os Lulas e alguns fantasmas morais do passado a se levantar e a pedir justiça e reparação, indago: em nome de quais valores? “Ah, mas e o deputado Rubens Paiva?” O que tem ele? Foi vítima da brutalidade do regime, tem de ter a sua história contada, e o Estado tem de assumir a sua culpa, como, aliás, aconteceu. Mas nem ele nem ninguém mudam a história de um tempo, mudam os valores que estavam em conflito. E que, atenção!, ainda estão!

Cadê os nossos cultores da verdade, os nossos heróis da reparação, para enviar uma mensagem de solidariedade ao povo venezuelano e seus mortos? Estão calados em seu túmulo moral. Sabem por quê? Porque boa parte dessa gente acha que Maduro tem mais é de fuzilar mesmo. Porque boa parte dessa gente acha que Che Guevara estava certo. Porque boa parte dessa gente acha que humanos são os seus companheiros. Os adversários são apenas “vermes” que merecem morrer.

É isso aí. Fernando Haddad, o Supercoxinha, diz que sou uma “caricatura de jornalista” porque escrevo textos como este. É um elogio quando vem da boca de um Zé Ruela subacadêmico que escreveu, em 2004, um livro em defesa do socialismo e que, ora vejam!, se diz socialista até hoje. Nunca foi preciso, claro!, que arriscasse, como arrisquei, um fio de cabelo em defesa da sua “luta”. É o socialista que não suja o shortinho. Outros já haviam construído a democracia para ele. Conforta-se em defender um regime assassino lá do seu gabinete, protegido das chuvas e trovoadas.

Che Guevara o representa.

Por Reinaldo Azevedo

A Venezuela é hoje uma ditadura narcobolivariano-militar; governo assassinava sete pessoas em protestos enquanto Dilma parabenizava o ditador Maduro

O chavismo não existe, como muitos supunham. O que existe é um processo ditatorial que mantém debaixo do porrete a sociedade venezuelana. Os ditos bolivarianos compraram parte considerável das Forças Armadas da Venezuela, hoje infiltradas pelo narcotráfico e em parceria com os narcoterroristas das Farc. Cada vez mais, anotem aí, o país assumirá as características de uma ditadura militar convencional — mas sem abrir mãos dos rituais homologatórios das eleições encabrestadas e fraudadas pelos bolivarianos. Em suma, trata-se de uma ditadura narcobolivariano-militar

Os conflitos pós-eleição presidencial na Venezuela deixaram até agora um saldo de sete mortos, 61 feridos e 135 detidos, afirmou nesta terça-feira a procuradora-geral do país, Luisa Ortega. Mais cedo, a agência estatal de notícias AVN havia falado em quatro mortos.

“O mais grave é que nestes atos violentos morreram sete venezuelanos, um deles policial de Táchira (oeste)”, disse a procuradora, que criticou o candidato da oposição Henrique Capriles por convocar panelaços.

“Até agora o candidato que não foi beneficiado não compareceu perante o CNE para tentar nenhum recurso, nenhuma ação que o ordenamento jurídico do estado lhe garante”, disse Luisa, que acusa Capriles de ordenar ‘atos desestabilizadores’. “Não podemos permitir que se atente contra a paz e a tranquilidade de um povo”, disse, completando que as atitudes de Capriles podem constituir ‘crimes de instigação ao ódio e rebelião civil’.

A eleição presidencial da Venezuela teve um resultado apertado, com 50,75% a favor de Nicolás Maduro e 48,97% para Henrique Capriles. A pequena diferença, de pouco mais de 260.000 votos, e as milhares de denúncias de fraude eleitoral levaram Capriles a pedir uma auditoria com a recontagem total dos votos. O Poder Eleitoral, dominado por chavistas, rejeitou o pedido, apesar de Maduro ter pedido ao CNE em um primeiro momento a abertura das urnas.

Diante da acelerada proclamação de Maduro como presidente na segunda-feira, Capriles convocou os venezuelanos a panelaços a favor de uma recontagem de votos. Os chavistas responderam pedindo novas mobilizações, e o resultado foi uma violenta noite de segunda-feira. O governo diz que simpatizantes de Capriles atacaram centros do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e do Conselho Nacional Eleitoral.

Prisões
Em Barinas, capital do estado de mesmo nome, 17 pessoas que foram detidas em manifestações nas imediações do CNE devem se apresentar nesta terça ao tribunal local. Um dos detidos, um dirigente juvenil, disse ao jornal El Universal que se trata de uma “prática comum do governo para tentar frear as reclamações nas ruas, atribuindo delitos a quem enfrenta suas irregularidades”.

Na manhã desta terça-feira, tanques militares tomaram as cidades de Barquisimeto, a quinta mais importante da Venezuela, e Palavecino em um clima de tensão que impediu crianças de irem à escola. O CNE de Barquisimeto está sob forte proteção militar diante da marcha convocada pela oposição para entregar um documento que exige a recontagem dos votos. Na noite de segunda-feira, os militares lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes dos panelaços.

Oposição
Também nesta terça, Capriles pediu aos venezuelanos, através do Twitter, para não cair em provocações e ratificou que a luta da oposição “é firme, mas pacífica”. “A nós o que interessa é que reine a paz! Ao ilegítimo, não”, disse, em referência a Maduro.

Comento
Quem é Luisa Ortega, a tal procuradora-geral? É só mais um dos esbirros do regime ditatorial instalado na Venezuela. Ainda que Capriles recorresse, pergunta-se: que chance teria?

A Venezuela, há muito tempo uma ditadura, agora terá de involuir para o estado policial se quiser manter o atual regime. A razão é clara: de fato, a maioria da população já se opõe ao governo, mas não encontra os caminhos para apeá-lo do poder. Capriles teve quase 50% dos votos. A abstenção passou de 20%. Numa sociedade extremamente mobilizada pelas milícias chavistas, essa taxa traduz um misto de medo e desesperança. As eleições são fraudadas desde a origem, uma vez que a oposição não têm os mesmos direitos na disputa. Parte considerável das Forças Armadas se tornou sócia da súcia bolivariana; a Justiça e o Parlamento estão, igualmente, a serviço dos bandoleiros. No ano passado, o então presidente da corte suprema fugiu do país, confessou que atuava em favor do narcotráfico sob a orientação do governo e acusou altas autoridades civis e militares de fazer parte da máfia.

Delinquência
Por alguns instantes, Nicolás Maduro fingiu aceitar a recontagem dos votos. Era, como alertei aqui, mero truque. Horas depois, mudou de ideia e preparou a proclamação oficial da sua vitória, mesmo em meio a uma mar de denúncias de fraude.

O Brasil, alegremente, apoia um regime delinquente, que responde a protestos  de rua contra uma eleição fraudada com tanques e assassinatos. Ontem, enquanto a ditadura bolivariano-militar matava venezuelanos na rua, Antonio Patriota, chanceler brasileiro, demonstrava a disposição de trabalhar com Maduro, e Dilma dava os parabéns ao ditador.
Por Reinaldo Azevedo

O terrorismo transforma o humano em coisa para que possa matá-lo sem  remorso. Ou: Considerações sobre uma foto

As tragédias sempre têm uma fato, uma imagem, que viram uma espécie de emblema. Para mim, a do atentado ocorrido em Boston, nesta segunda, é esta, de John Tlumacki (The Boston Globe/Getty Images).


Roland Barthes escreveu um ensaio sobre fotografia no qual afirma que as imagens têm o que ele chamava “puncta” (plural da palavra latina “punctum”. São os “pontos”, não necessariamente centrais, que atraem o nosso olhar. Um dado muitas vezes periférico da imagem acaba dizendo mais sobre o evento retratado do que as evidências escancaradas.

Voltemos à foto. Chama a atenção, de imediato, a composição da cena em vermelho e negro. Parte desse vermelho é o sangue das vítimas, também da mulher retratada. Nota-se que um naco foi arrancado de sua perna, logo abaixo do joelho. As partes visíveis de seu corpo estão lanhadas; a blusa, rasgada. Os artefatos explosivos certamente continham pregos — ou algo semelhante — para ferir também os que estivessem a uma distância razoável da explosão. No canto superior esquerdo, há uma pessoa deitada.

Tudo isso é constatável à primeira vista. Mas a síntese da tragédia não está nessa composição horrível. Há coisas ainda mais terríveis — que são, estas sim, a síntese da miséria moral terrorista.

Seus olhos miram o nada. Seus olhos estão voltados para a incompreensão. Seus olhos são a expressão da catatonia. Ela se confronta com a ausência de sentido. Eu me arriscaria a dizer que, no momento desse flagrante, essa pobre mulher não sentia dor, tristeza, preocupação, ódio, melancolia… Sua alma a abandonara por um instante.

Em estado de choque, podemos ficar literalmente anestesiados — a dor física só chega depois, quando recobramos algum domínio sobre o nosso corpo. O sofrimento moral, por sua vez, requer uma articulação com a linguagem e com a consciência de quem nós somos. Só temos a chance de nos consolar se encontramos o repertório com que expressar a nossa dor. Sem isso, sofremos, sim, mas quase como bichos.

A vida, no entanto, insiste. E aí o meu olhar se desloca para a sua mão direita (a esquerda, presume-se, fala a mesma linguagem). Elas estão pregadas no chão. Ela não quer deitar. Como o animal acuado, mantem-se ereta, dentro do possível, porque, mesmo sem entender o que se passa, mesmo sem saber por que coisa foi colhida, não quer morrer. Vai até o limite de sua força.

No pé deste post, publico outras imagens da tragédia. Há, até agora, apenas especulações a respeito. Ninguém reivindicou a autoria do atentado. Ninguém sabe se há motivação política. Isso importa? Importa, sim, para o futuro e para o tratamento policial que se dará em questão. No que diz respeito à essência do ato, não faz diferença se os autores falam em nome de uma causa ou apenas se consideram injustiçados pelo mundo e querem se vingar.

Todos os crimes são, afinal de contas, crimes, mas é claro que se pode fazer uma hierarquia na escala da abjeção. O terrorismo é o mais asqueroso deles, pouco importam a sua natureza, a sua causa ou as suas justificativas. Não obstante, nestes dias, há intelectuais que flertam abertamente com suas possíveis virtudes; quem veem em atos dessa natureza uma expressão, ainda que um tanto distorcida, do humanismo. É o caso do intelectual marxista esloveno Slavoj Zizek, que sai fazendo a sua cantilena maldita mundo afora, encontrando eco, inclusive, em universidades dos EUA, que já passaram pelo 11 de Setembro.

No Brasil, Zizek e sua tese ganharam uma resenha elogiosa assinada pelo professor da USP Vladimir Safatle. O texto foi publicado no Estadão — sim, no Estadão! — no dia 11 de janeiro de 2009. E eu jamais deixarei que vocês se esqueçam disso, que o Estadão se esqueça disso e que o próprio Safatle se esqueça disso. A cada vez que eu vir uma foto como a daquela mulher e as que se seguem abaixo, farei com que vocês se lembrem disso, com que o Estadão se lembre disso e com que Safatle se lembre disso. É bom notar: terroristas costumam armar suas bombas em aparelhos clandestinos, fétidos, escondidos de toda gente. Intelectuais que justificam seus crimes costumam estar nas universidades, nas bibliotecas e escrevendo em jornais.

O terrorismo desumaniza o outro para que possa matá-lo sem remorso — mais ou menos como o professor Satafle, em certo artigo, desumanizou o feto, chamando-se de “parasita”, para tentar convencer o seu leitor que legalizar o aborto é uma postura correta e moralmente aceitável.

As vítimas do terror, como evidencia aquela foto, são transformadas em “coisas”. Por alguns instantes, não sentem nada, nem dor nem paixões. Grudam, como animais acuados, os membros no chão, num último esforço para que a vida não as abandone.

Homem ferido é socorrido por equipes de regaste, após a explosão na maratona de Boston (Foto: Charles Krupa/AP)

Homem é socorrido por equipes de resgate, após ser atingido por uma das bombas na maratona de Boston (Foto: Jim Rogash/Getty Images/AFP)

Equipes de resgate socorrem feridos após a explosão na maratona de Boston (Foto: Charles Krupa/AP)

Por Reinaldo Azevedo

Detalhes da eleição na Venezuela explicam por que o chavismo não vai sobreviver

Com o câncer de Hugo Chávez transformado em ativo eleitoral, seu partido venceu as eleições, no ano passado, em 20 dos 23 departamentos — ou estados. E muitos previram vida eterna para o regime. Erro. Nem para Chávez nem para o chavismo.

Fui ver o resultado das eleições deste domingo nos 23 estados mais o Distrito Capital — 24 ao todo (veja mapa eleitoral do jornal (El Universal). Há alguns dados interessantes, que indicam que o chavismo não sobreviverá a Chávez. Vamos ver.
– Nicolás Maduro venceu em 16 departamentos, incluindo o Distrito Capital;
– Henrique Capriles ganhou em apenas 8;
– embora tenha vencido no dobro de departamentos, o candidato bolivariano conseguiu, no país, 1,58 ponto de diferença em relação a seu adversário;
– isso indica o óbvio: Capriles venceu nos estados mais populosos, e Maduro, nos menos;
– há apenas nove estados com mais de um milhão de habitantes na Venezuela; destes, Capriles venceu em seis: Zulia, Táchira, Lara, Miranda, Anzoátegui e Bolívar. Só perdeu no Distrito Capital, Aragua e Carabobo.
– A Venezuela tem perto de 30 milhões de habitantes; pelo menos 5,3 milhões estão do chamado Distrito Capital, que inclui a capital propriamente, Caracas (três milhões).
– Muito bem: nessa massa eleitoral, a diferença em favor de Maduro foi superior à média nacional: 51,32% a 48,19% —3,13 pontos. Está longe de ser uma distância convincente;
– Se a oposição diminuir a diferença no Distrito Capital, chegar mais perto em Aragua (54,05% a 45,6%), com 1,7 milhão de habitantes, e virar o jogo, ainda que por margem estreita, em Carabobo (50,04% a 49,36%), com 2,3 milhões de habitantes, o chavismo já era;
– os programas assistencialistas do governo são mais agressivos na Grande Caracas, que também concentra as milícias bolivarianas armadas. Mesmo assim, a diferença em favor do chavismo é pequena;
– o melhor resultado de Maduro se deu em Portuguesa (65,19% a 34,51%), com 873 mil habitantes;
– o melhor resultado de Capriles está em Táchira (62,95% a 36,91%), com 1,18 milhão de habitantes.

Os dados apontam para uma hipótese: ainda que os números estejam certos e que não tenha havido roubo em sentido clássico (as eleições já são fraudadas em sua própria natureza), o chavismo, já moribundo, vai se sustentar por algum tempo nos grotões mentais do país — incluindo os de miséria e ignorância, controlados por milícias, na Grande Caracas. Mas dificilmente resistirá, para glória do bom senso.

Mesmo com toda a máquina de propaganda, mesmo com as oposições reduzidas ao silêncio, em apenas 3 dos 16 estados em que Maduro venceu, a oposição ficou abaixo dos 40%; em seis deles, ficou acima dos 45%.

A oposição venceu em seis dos nove estados com mais de um milhão de habitantes; neste grupo, é fato, Maduro obteve pouco mais de 47% dos votos em cinco. Mas jamais se pode perder de vista a questão essencial, de base: estamos falando de um povo que tenta vencer uma ditadura pela via eleitoral; estamos falando de um governo que cassa o direito à livre expressão do que, certamente, a esta altura, já é a maioria do país.

Insisto: houvesse igualdade na disputa, o que vai aqui seria, se não descabido, um tanto duvidoso. Mas não há. Os que votaram em Capriles, dado o contexto, escolheram a resistência. De resto, Maduro não é Chávez, e o estoque de feitiçarias populistas do governo chegou ao fim.
Por Reinaldo Azevedo

Parabéns a Patriota, que superou o umbral da vergonha!

Vergonhosa, de fazer corar, a declaração que vi no Jornal Nacional de Antonio Patriota, ministro das Relações Exteriores do Brasil, sobre a eleição na Venezuela. Sim, ele estava envergonhado, mas sabem como é… Ultimamente, os umbrais da vergonha são ultrapassados no Brasil em questões até menos relevantes do que essa.

Afirmou o nosso chanceler: “Felicito o presidente Maduro pela sua vitória e, ahhhnnn, aqui reafirmamos a disposição de seguirmos trabalhando muito estreitamente com o governo venezuelano”.

A fala está aqui. entre 1min25s e 1min43s. É ruim, hein? Se a causa fosse mais fácil, Patriota teria se esmerado no estilo e nem teria flexionado o verbo da oração completiva nominal reduzida de infinitivo. É opcional, sim, mas é uma questão de estilo, que faz diferença na diplomacia. Tartamudeando, falou qualquer coisa, de qualquer jeito.

Dilma, claro!, telefonou para o ditador Nicolás Maduro. Mas não teve de pôr o carão na televisão. Patriota, um destemido, resolveu pagar o mico.

O ministro sabe muito bem em que condições se realizaram as eleições no país. Tem plena consciência de que não foram nem limpas nem livres. Viu uma disputa com óbvios indícios de fraude ter seu resultado proclamado. Mas está lá, oferecendo-se como mais um esbirro da ditadura.

O Itamaraty nunca foi obrigado a descer tão baixo.

Por Reinaldo Azevedo

No rali da inflação, leite poderá ser o novo tomate

Por Naiara Infante Bertão, na VEJA.com:
Depois de a salada de tomates ter ficado mais cara nos últimos meses, agora é o leite que começa a pesar no bolso do consumidor. Na última quinta-feira, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apurou que o leite em pó (embalagem 400-500g) foi o produto da cesta básica que mais se valorizou na semana de 5 a 11 de abril, na faixa de 3,66%, na cidade de São Paulo – o grupo alimentação teve inflação de 0,97% e a cesta básica, de 0,82% no mesmo período. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na quarta-feira, mostram ainda que a inflação do leite em pó passou de 0,30% em fevereiro para 1,63% em março, enquanto a do leite longa vida variou de -0,01% para 1,76% no mesmo período. Os itens acumularam altas respectivas de 2,78% e 2,49% no primeiro trimestre do ano e de 12,71% e 8,81% em 12 meses.

A consultoria agropecuária MB Agro alerta que os produtores brasileiros estão aumentando os preços para acompanhar o mercado internacional. A Nova Zelândia, o maior produtor de leite em pó do mundo (responde por um terço da produção mundial), teve a pior seca dos últimos 70 anos no verão passado. A fartura do pasto para alimentar as vacas leiteiras neozelandesas teve que ser reduzida, o que provocou uma queda na produtividade do rebanho.

Apesar de os dados oficiais sobre a produção da Nova Zelândia no primeiro trimestre do ano serem preliminares, é consenso entre analistas que haverá um salto nos valores praticados no mercado internacional. Eles tomam por base os últimos resultados dos leilões quinzenais da DPA (joint venture entre a Nestlé e a Fonterra no país), considerados referência mundial no preço do leite em pó. Enquanto a média de preço girava em torno de 3,5 mil dólares por tonelada do produto no ano passado, os preços dispararam desde fevereiro. No último leilão, no início deste mês, o preço da tonelada já estava em 5,1 mil dólares – um aumento de 45,7% entre o início de fevereiro e abril.

A queda da oferta já refletiu no índice de preços divulgado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) na última quinta-feira. Os preços internacionais dos alimentos subiram 1% em março ante fevereiro, puxados, especialmente, pela elevação de 11% dos laticínios, que têm peso de 17% no cálculo do indicador. “O leite em pó brasileiro, que antes era considerado caro no mercado internacional, agora já está bem mais competitivo que o neozelandês”, diz César de Castro Alves, analista de leite e carne da MB Agro. “Isso pode fazer com que produtores nacionais que deixaram de exportar nos últimos anos voltem a buscar o mercado internacional”, completa ele.

Atualmente, o preço do leite in natura no Brasil custa 0,92 real o litro, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Já o quilo do leite em pó está cotado em 7,82 reais. Com a cotação do dólar próxima de 2 reais, a tonelada de leite em pó brasileiro sairia por cerca de 3,91 mil dólares – sem contar os custos com importação. Segundo a MB Agro, é essa competitividade externa que vai atrair os produtores brasileiros nos próximos meses – o que poderá reduzir a oferta e, consequentemente, elevar os preços no mercado interno.
Por Reinaldo Azevedo

Acuado pela inflação e pela pressão do mercado, Mantega acena com a elevação dos juros

Na VEJA.com:
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira, em São Paulo, que o controle da inflação é tão importante quanto a solidez fiscal e disse que o governo não titubeará em adotar medidas impopulares, como a alta da Selic, a taxa básica de juros. “Vamos tomar medidas, mesmo que não populares, como o ajuste na taxa de juros”, disse Mantega, durante evento na capital. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado na última quarta-feira mostrou alta de 0,47% e ultrapassou a meta de inflação no acumulado de 12 meses, chegando a 6,59%.

Em seu discurso, o ministro claramente jogou para escanteio a independência do Banco Central ao aventar a possibilidade de alta dos juros – dando a entender que se trata de uma decisão de governo, e não da autoridade monetária que, em teoria, deveria agir sem interferência de qualquer política econômica.

Questionado sobre a influência do cenário político e eleitoral nas medidas econômicas que vêm sendo tomadas, o ministro negou que o governo esteja postergando medidas impopulares até o final de 2014. “Se vocês olharem ao longo do tempo, nós elevamos juros em véspera de eleição. Por exemplo, em 2010 nós elevamos taxa de juros. Portanto, não nos pautamos por calendário político”, comentou Mantega durante palestra.

O ministro voltou a repetir o mantra de que a “inflação é passageira” e atribuiu ao real valorizado parte da culpa pela alta do IPCA. Sobre os juros, Mantega disse ainda que a Selic em alta levou o setor produtivo a fazer operações financeiras e que “quando se reduz juros, o setor produtivo investe”. “Está havendo uma transição de juros altos para aumento de produção”, disse.

Desonerações
O ministro voltou a citar o programa de desonerações implantado no país pelo governo como medida que deverá aliviar a alta dos preços. Segundo ele, as desonerações chegam a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) e serão da ordem de 70 bilhões de reais em 2013. “Para 2014 está programada uma desoneração de 88 bilhões de reais, quase 2% do PIB”, disse o ministro, citando que 42 setores já estão sendo beneficiados pela desoneração da folha de pagamento e outros engrossarão o grupo.

Crescimento
Apesar do número desanimador divulgado nesta manhã pelo Banco Central, que mostra que a economia encolheu 0,52% em fevereiro, o ministro se mostrou – como sempre – otimista em relação ao crescimento da economia brasileira. Segundo ele, a previsão é que o crescimento do PIB seja de 3,5% neste ano e de 4,1% no ano que vem, “melhor do que em 2012, que foi ruim”.

O ministro avaliou que a passagem entre 2012 e 2013 foi marcada por um gradual crescimento, cenário que vai perdurar. “O investimento voltou a crescer; entre janeiro e fevereiro houve bom desempenho. A absorção de bens de capital cresceu 8,5% no trimestre, o que mostra que o investimento vai continuar a crescer em 2013.”

Mantega reafirmou que, depois que a crise acabar, os países serão mais competitivos e citou os investimentos do Brasil necessários para ampliar a competitividade. “No Brasil temos desvantagem, que é atraso na infraestrutura”, disse o ministro, dando como exemplo os investimentos feitos na China. “A diferença entre Brasil e a China é que a China faz investimentos e não tem demanda. E eu não quero criticar o programa da China, que é certo”, afirmou.
Por Reinaldo Azevedo

Truque da contabilidade criativa – Para cumprir meta fiscal, governo quer excluir Estados e municípios do cálculo

Por Renata Veríssimo e Laís Alegretti, no Estadão:
Com dificuldades para alcançar a meta de economia fiscal neste ano, o governo decidiu alterar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e retirar a obrigação do Tesouro de cobrir o que Estados e municípios deixarem de poupar em 2013 no chamado superávit primário. A novidade foi incorporada também ao Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2014, enviado nesta segunda-feira ao Congresso Nacional. Na prática, isso liberta o governo de mais uma obrigação fiscal.

Assim, oficialmente, a meta deste ano para o setor público como um todo continua em R$ 155,9 bilhões, mas os R$ 47,8 bilhões de Estados e municípios não estão garantidos. O governo fixou em R$ 167,4 bilhões a meta de superávit para 2014, sendo R$ 51,2 bilhões para governadores e prefeitos.

O governo tem resistido em alterar a meta, em 3,1% do PIB ao ano, mas ao mesmo tempo cria mecanismos que, na prática, permitem um valor mais baixo. Para este ano, o Tesouro poderá abater da meta até R$ 65 bilhões em investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de renúncia fiscal com novas desonerações tributárias. Para 2014, esse valor sobe para R$ 67 bilhões.

Usado pelo governo para pagamento dos juros da dívida pública, o superávit primário representa também o compromisso do governo com uma política responsável dos gastos públicos.

Coerência
“Não estamos dizendo que a meta (dos Estados e municípios) vai ser abatida. Estamos dizendo que a LDO permite que isso ocorra. Se vai ser feito ou não, isso vai ser definido ao longo de 2014″, disse o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. Segundo ele, trata-se de uma questão de coerência macroeconômica. Desde o fim de 2011, o governo federal tem liberado espaço fiscal para que os governadores possam contratar empréstimos para financiar obras de infraestrutura.
(…)
Por Reinaldo Azevedo

Mensalão: Polícia Federal abre inquérito contra Lula

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
A Polícia Federal confirmou, nesta sexta-feira, ter aberto inquérito para investigar a atuação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma das operações financeiras do mensalão. Agora, Lula é oficialmente investigado por sua participação no esquema que movimentou milhões de reais para pagar despesas de campanha e comprar o apoio político de parlamentares durante o primeiro mandato do petista.

O presidente teria intermediado a obtenção de um repasse de 7 milhões de reais de uma fornecedora da Portugal Telecom para o PT, por meio de publicitários ligados ao partido. Os recursos teriam sido usados para quitar dívidas eleitorais dos petistas. De acordo com Marcos Valério, operador do mensalão, Lula intercedeu pessoalmente junto a Miguel Horta, presidente da companhia portuguesa, para pedir os recursos. As informações eram desconhecidas até o ano passado, quando Valério – já condenado – resolveu contar parte do que havia omitido até então.

A transação investigada pelo inquérito estaria ligada a uma viagem feita por Valério a Portugal em 2005. O episódio foi usado, no julgamento do mensalão, como uma prova da influência do publicitário em negociações financeiras envolvendo o PT.

O pedido de abertura de inquérito havia sido feito pela Procuradoria da República no Distrito Federal. As novas acusações surgiram em depoimentos de Marcos Valério, o operador do mensalão, à Procuradoria-Geral da República. Como Lula e os outros acusados pelo publicitário não têm foro privilegiado, o caso foi encaminhado à representação do Ministério Público Federal em Brasília. Ao todo, a PGR enviou seis procedimentos preliminares aos procuradores do Distrito Federal. Um deles resultou no inquérito aberto pela PF. Outro, por se tratar de caixa dois, foi enviado à Procuradoria Eleitoral. Os outros quatro ainda estão em análise e podem ser transformados em outros inquéritos.

Segredos
Com a certeza de que iria para a cadeia, Marcos Valério começou a contar os segredos do mensalão em meados de setembro, como revelou VEJA. Em troca de seu silêncio, Valério disse que recebeu garantias do PT de que sua punição seria amena. Já sabendo que isso não se confirmaria no Supremo – que o condenou a mais de 40 anos por formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato e lavagem de dinheiro – e, afirmando temer por sua vida, ele declarou a interlocutores que Lula “comandava tudo” e era “o chefe” do esquema.

Pouco depois, o operador financeiro do mensalão enviou, por meio de seus advogados, um fax ao STF declarando que estava disposto a contar tudo o que sabe. No início de novembro, nova reportagem de VEJA mostrou que o empresário depôs à PGR na tentativa de obter um acordo de delação premiada – um instrumento pelo qual o envolvido em um crime presta informações sobre ele, em troca de benefícios.
Por Reinaldo Azevedo

Farra com os aviões da FAB: Cadê o Ministério Público, antes tão severo com o governo FHC?

Reportagem publicada ontem pelo Estadão evidenciou o uso absolutamente abusivo de jatinhos da FAB pelo primeiro escalão do governo Dilma. Trata-se de um disparate. As tentativas de explicação, então, são grotescas! O mais criativo na resposta foi José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça. Ainda acho que ele estava tentando tirar um sarro da reportagem. Já falo a respeito. Antes, quero apelar à memória dos leitores que já acompanhavam assuntos parecidos no governo FHC e trazer uma informação aos leitores mais jovens (muitos milhares neste blog). Lembram-se dos procuradores Luiz Francisco e Guilherme Schelb, os dois Torquemadas ao tempo em que os tucanos estavam no Planalto? Sumiram, não é? Por onde andarão? E cadê os outros representantes do Ministério Público?

Em dois anos de governo Dilma, as 18 aeronaves que podem servir aos ministros voaram 10,8 mil horas, em 5,8 mil voos. Perfizeram 8 milhões de quilômetros. Dava par ir à Lua e voltar 10 vezes. Alexandre Padilha, ministro da Saúde, fez 469 voos; em segundo lugar, vem Cardozo, com 353. Ninguém descobriu, até agora, o que faz Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, mas ele aparece em terceiro lugar na lista, com 317. O levantamento vai até fevereiro.

Vejam bem: dois anos e 2 meses de governo somam 789 dias. Descontem-se, no período, 208 entre sábados e domingos (e olhem que dou de barato os feriados). Sobram 581 de trabalho. Padilha viajou 469 vezes. A sua média mensal foi de 20 mil quilômetros. O Estadão faz uma comparação interessante: para tentar desarmar as bombas-relógio mundo afora, Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA, percorre a média mensal de 32 mil quilômetros.

Não esqueci dos dois representantes do MP, não. Já chego lá. Ao se explicar ao jornal, Padilha lembrou que é o gestor do SUS e que tem de ir aonde o problema está. Tudo muito certo, tudo muito bem! Mas por que a maioria de suas viagens tem São Paulo como destino? Justamente onde ele tem fincadas as suas raízes políticas e cujo governo, se tudo sair como espera (não adiante negar), ele pretende disputar? Aí a explicação começa a ficar ruim, né?

E onde está o Ministério Público? Ministros do governo FHC tiveram de responder a ações de improbidade por muito menos do que isso. E que se note: nem estou entrando no mérito do que se fez antes. Estou apenas constatando a diferença de tratamento. “Ué, mas os ministros de Dilma não estavam trabalhando?”  O terceiro maior useiro dos aviões, Fernando Pimentel, fez a maioria de suas viagens para… Belo Horizonte.

Cardozo
E o ministro da Justiça, o que apresentou a desculpa mais ousada e original (já falo a respeito)? Reproduzo trecho de reportagem do Estadão:
“A FAB também foi buscar ministro no retorno de evento que celebrou os dez anos do PT no poder, em 20 do mês passado, em São Paulo. Naquele dia, uma quarta-feira, José Eduardo Cardozo (PT) despachou em Brasília até as 17h, viajando em seguida para a festa. Não pediu o benefício na ida, mas, segundo as planilhas da Aeronáutica, usou um na volta, no dia seguinte, às 15h.”

Ou ainda:
“Ocupa o segundo lugar no pódio o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Ele decolou 353 vezes a bordo da frota da Aeronáutica, muitas vezes para destinos onde não teve compromissos de sua pasta. Sua viagem deste ano para o carnaval paulistano é um exemplo: ida e volta taxiados pela Força Aérea, no período que coincidiu com sua passagem pelo camarote no Anhembi.”

A desculpa
Cardozo explicou tudo direitinho. Aprendemos com o professor — também apontado como pré-candidato ao governo de São Paulo — que ele viaja muito para nosso bem e para preservar o patrimônio público. Afirmou: “O uso de aeronave da FAB, nos casos em que ocorreu, não ofende a lei e a moralidade. Até porque os aviões necessitam voar determinadas horas para sua correta manutenção”. Ah, bom!

Na lista dos que mais requisitam aeronaves, está até Celso Amorim, hoje ministro da Defesa. É o sexto, com 279 viagens. Por quê? Vai ver anda cuidando pessoalmente das nossas fronteiras…

A farra já custou R$ 44,8 milhões ao bolso dos brasileiros. E o Ministério Público, até agora, silenciou. 
Por Reinaldo Azevedo

s vans no Rio, um e-mail de Eduardo Paes, o jornalismo e o poder

Recebo um e-mail do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), comentando um post que escrevi aqui com críticas à proibição da circulação de vans na Zona Sul do Rio. À diferença do petista Fernando Supercoxinha Gugu-Haddad (post anterior), ele, ao menos, diz que está “sempre” me lendo.

Paes aproveita para me dar uma bronca. Em dezembro, VEJA Online publicou um texto informando que a Prefeitura proibiria a circulação de vans na Zona Sul e no Centro. Assim, observa o prefeito, a medida de agora nada tem a ver com o caso do estupro. Reproduzo a sua mensagem. Volto em seguida.
*
Querido Reinaldo,
Estou sempre lendo você.  Como fico triste em ver um jornalista tão atento cometendo erros, trago matéria do site da nossa querida Veja em dezembro do ano passado anunciando a proibição de Vans na Zona Sul a partir de… ABRIL!
Ou seja, nada que ver com estupro. Simplesmente parte de um processo de transição do caótico modelo de transportes em nossa cidade maravilhosa. Ajustes têm que ser feitos, mas não têm improviso, não!
Me desculpe o comentário, mas é dramático como os jornalistas não prestam atenção a notícias veiculadas em seus próprios meios.
Meu abraço,

Voltei
Começo pelo vocativo, vou para o último parágrafo e depois para o miolo. Quando Paes era deputado tucano, chegamos a ter alguma proximidade. Se não era amizade propriamente, talvez tenha sido quase. No tempo a que me refiro, nunca percebi nada que o desabonasse pessoal ou politicamente. Sempre me pareceu uma pessoa dedicada a seu ofício e sinceramente preocupada com a sua cidade, com o seu estado, com o seu país. Dessa relação amistosa, nunca brotou condescendência de nenhuma natureza. Nem minha nem dele. Concordamos e discordamos quando era o caso de se fazerem uma coisa e outra. Eduardo, permito-me chamá-lo pelo prenome, sabe o que penso e sei o que ele pensava. Evitei ser judicioso a respeito de suas escolhas políticas posteriores porque não gosto de misturar os canais. Ele sabe disso. Ademais, mesmo discordando de muita coisa, acho que a cidade está melhor sob o seu comando — e nunca escrevi o contrário.

Agora para o último parágrafo. Ele tem razão. Não tinha lido o texto da VEJA.com a que ele alude. Se posso lhe fazer uma sugestão, fica esta: acuse o que considera a minha falha, mas não generalize para todos “os jornalistas”. Acho que, no geral, eles leem o que se publica em seus respectivos veículos. A minha crítica é outra: parcela considerável não lê nada além do que neles se publica — teoria política, por exemplo. Acho que faz falta. Ainda que o jornalismo, em regra, não seja o melhor sítio para um debate dessa natureza, quando se domina certo instrumental, o mundo fica mais claro.

É uma pena, com efeito, eu não ter lido antes a reportagem da VEJA.com porque teria, então, feito crítica parecida no seu devido tempo. Teria alertado que quatro meses seriam insuficientes para a reestruturação que o setor pedia. E os fatos demonstram que são. E teria indagado, do mesmo modo, por que a proibição se restringe à Zona Sul. E teria, também, apontado a condescendência da imprensa com as questões que dizem respeito ao Rio, cidade e estado. Não por desamor a ambos. Ao contrário. E que se note: esse aspecto da crítica não diz respeito a Paes, mas ao jornalismo. O prefeito parece, ainda assim, um tanto descontente com a categoria. Não deveria. Não conhece o que é ser governo com um jornalismo hostil — nem mesmo crítico, que é coisa diferente.

Eu não sou contra — e esta não é posição recente — à circulação de vans nesta ou naquelas áreas da cidade, como evidenciou meu post. Eu me oponho, isto sim, e a essa modalidade de transporte, que tem de acabar — no Rio, em São Paulo, em qualquer lugar. Essa é uma, apenas uma!, das heranças malditas do petismo. Foi em São Paulo que os petistas ousaram transformar o que chamei de “praga” em alternativa de transporte público.

Espero que Eduardo seja bem-sucedido num programa, então, para erradicar essa doença — da Zona Sul e também das áreas onde a tardinha não cai junto com o barquinho que vai. Se e quando a topografia exigir um veículo mais leve, que esteja sob o controle do poder público, não do crime organizado, como costuma acontecer — no Rio, em São Paulo, em qualquer lugar. Tem o meu apoio nisso. É irrelevante, eu sei, mas não digo que gosto ou desgosto de algo pensando no efeito que isso possa causar.

Despeço-me de Eduardo especulando que ele talvez conheça jornalistas que fazem questão de ignorar o que pensam ou deixam de pensar os políticos quando estes marcham na contramão da metafísica influente, como ele já marchou,  mas se tornam seus amigões do peito e interlocutores privilegiados quando se tornam poder. É evidente que não me obrigo a fazer o contrário. Ao ser fiel ao que penso, independentemente da metafísica influente, posso passar, às vezes, essa impressão…

Um abraço, prefeito.
Por Reinaldo Azevedo

alafaia: “Evangélicos vão se manifestar contra a censura e contra o controle da mídia pelo estado ou por militantes”. Ou: “Por cima dos evangélicos, eles não passarão!”

Lideranças evangélicas organizam uma manifestação pública, em Brasília, para o dia 5 de junho. Trata-se de um protesto contra o casamento gay? Não! O objeto do encontro é outro: a defesa da liberdade de expressão, que consideram, e com razão, sob ameaça no país. Um dos organizadores é o pastor Silas Malafaia, com quem falei há pouco. Ele define assim o evento:

“Nós somos contra a equiparação da união homossexual à heterossexual? Sim! Nós somos a favor do que passaram a chamar de ‘família tradicional’, formado por homem, mulher e filhos? Sim! Certamente, por razões óbvias, essas questões surgirão em nossa manifestação. E temos essas opiniões porque são matéria de convicção, de crença, e porque a Constituição nos assegura o direito de tê-las.Mas o objeto principal do nosso encontro é outro. Vamos nos manifestar a favor da liberdade de expressão e contra o controle da mídia, que vem sendo reivindicado por pessoas que odeiam a liberdade. Não aceitamos o controle da mídia nem pelo estado nem por grupos militantes. Querem nos transformar, aos evangélicos, em antediluvianos, em reacionários. Errado! Nós somos a modernidade democrática. Nós é que somos por uma sociedade radicalmente democrática, sem um estado censor e sem a censura de grupos organizados”.

A fala está corretíssima, e desafio qualquer defensor da democracia a encontrar nela algo que agrida a democracia, o estado de direito e o artigo 5º da Constituição, entre outros que garantem os direitos fundamentais dos brasileiros.

Aborto
Malafaia também diz que os evangélicos vão se manifestar em defesa da vida e contra, pois, a tentativa sorrateira de legalizar o aborto, presente na proposta de reforma do Código Penal que está no Senado. Uma comissão de supostos notáveis tentou driblar o óbice constitucional, que assegura o direito à vida, para, de forma malandra, legalizar o aborto sem debater com ninguém, ao arrepio da sociedade.

O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) estará presente ao encontro de Brasília? É muito provável que sim. Trata-se de um desagravo às tentativas de derrubá-lo da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara? De novo: o objetivo da manifestação é mais amplo do que isso. Nesse sentido, independentemente do conteúdo da pauta dos evangélicos, Malafaia tem razão: defender o direito à liberdade de expressão é uma pauta mais “moderna” do que a dos que querem submetê-la aos tribunais informais de movimentos organizados.

As lideranças evangélicas são contra, por exemplo, o PLC 122, apelidado de “Lei Anti-Homofobia”. Basta atentar para seu conteúdo para constatar que, sob o pretexto de proteger os gays de agressões — e quem pode ser a favor, Santo Deus! —, vem a ameaça à liberdade de expressão, sim. Já demonstrei isso aqui muitas vezes.

E como é que essa questão se casa com a defesa mais geral da liberdade de expressão e contra o controle da mídia? Quem deu a pista foi o petista gaúcho e graúdo Tarso Genrso. Ao defender a regulamentação da mídia, chegou a afirmar que 80% da programação de rádio e TV estariam fora dos parâmetros constitucionais.

“Evangélico, agora, tem o direito der ser contra gay, Reinaldo?” Não! Nem eles nem ninguém. Mas de ser contra a equiparação das uniões civis, ah, isso eles têm, sim! Não é a minha opinião, por exemplo. E daí? A democracia não existe para fazer as minhas vontades. Na França, um milhão saíram às ruas contra o casamento gay. Nem por isso a imprensa francesa, mesmo a socialista e favorável à pauta, os tachou de fascistas.

Malafaia deixa claro que não é o dono da manifestação. É apenas uma das lideranças evangélicas que a apoiam. Enquanto o seu ponto de vista triunfar, quem é favorável a suas opiniões pode se manifestar; quem é contrário a suas opiniões pode se manifestar. Se vencer a pauta daqueles que o agridem, então teremos uma singularíssima democracia em que só pode dizer o que pensa quem diz “sim”.

Ele encerra:
“Publiquei um pronunciamento nos jornais em setembro de 2010 me opondo ao controle da mídia. E lá deixei claro que sou favorável à imprensa livre mesmo quando ela me agride. Enquanto vigorar o que eu penso, jornalista jamais será punido por delito de opinião ou correrá o risco de perder o registro profissional por pensar isso ou aquilo. Mas tenho visto por aí muitos falsos democratas, maléficos como os falsos profetas, falando em nome da liberdade para poder censurar a opinião alheia. Por cima dos evangélicos, eles não passarão”.

Tomara que não!
Por Reinaldo Azevedo

Conforme previ – Ministro silencia sobre morte de Deppman, mas defende legislação que protege assassinos

Ele não quer mudar nada na legislação: em defesa da lei que protege infratores e silêncio sobre a morte de Victor Hugo Deppman

Podem não gostar de mim, e muita gente não gosta — não sou mesmo um doce de coco —, mas é difícil negar que eu os conheça como a palma da mão. Num post desta manhã, escrevi escrevi o que vai em azul:

Ouvem este silêncio ensurdecedor?
É da ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, diante do corpo de Victor Hugo Deppman.
Ouvem este silêncio ensurdecedor?
É do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, diante do corpo de Victor Hugo Deppman.
Ouvem este silêncio ensurdecedor?
É do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, diante do corpo de Victor Hugo Deppman.
Ouvem este silêncio ensurdecedor?
É das ONGs que se dizem dedicadas à defesa dos direitos humanos diante do corpo de Victor Hugo Deppman.

Em breve eles começarão a falar. Bastará que comece a tramitar no Congresso uma PEC alterando o Artigo 228 da Constituição, que define a inimputabilidade penal até os 18 anos, ou uma lei que mude o Artigo 121 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que estabelece um limite de três anos de “recolhimento” mesmo para assassinos, e toda essa gente falará freneticamente.

Retomando
Mas quê… Eles nem esperaram a tramitação de coisa nenhuma! Alguns leitores ainda observaram: “Pô, você está pegando no pé do Gilberto Carvalho; o cara ainda nem falou nada.” Pensei cá comigo: “Esperem pra ver!”. Bingo! Ele já saiu atirando contra a proposta de mudar a legislação. Sobre o assassinato de Victor Hugo Deppman, não disse uma vírgula. Como o Geraldo Alckmin defende mudança na legislação, teve de se referir à fala do governador de São Paulo. Afirmou Carvalho, segundo informa a Folha:
“A gente é completamente contra. Não quero falar em uso político, não estou me referindo à declaração do governador. Estou me referindo ao tema da [redução da] maioridade penal, que temos uma posição historicamente contrária”.

Vamos ver
Pra começo de conversa, Alckmin não está defendendo exatamente a redução da maioridade penal, o que demandaria mudança na Constituição. O que ele defende é que o menor que pratica crime hediondo possa ficar recolhido mais do que os atuais três anos e que isso signifique perda da primariedade. Cumpriria, no entanto, a chamada medida sócio-educativa em estabelecimento especial, não num presídio. A minha proposta é que não haja idade mínima nem idade-limite para o recolhimento (depende do crime) ou para o tempo em que o menor fica apartado da sociedade (depende do crime também). Adiante.

Aconteceu conforme o esperado. Carvalho, na prática, silencia diante da morte de um estudante e trabalhador e sai em defesa de um legislação que protege assassinos. Por quê? Porque ele acha que é a pobreza que leva alguém a matar. Leiam esta fala:
“Queremos dar ao jovem alternativas de trabalho, cultura, lazer, formação profissional; uma possibilidade que não seja o crime. Nossa ênfase é isso. Reduzir a menoridade penal é uma lógica que não tem fim”.

É uma fala tola, que embute um raciocínio perigoso, que legitima, queira ou não, o banditismo e o assassinato. No Canadá, na Espanha, em Israel e na Holanda, os jovens têm acesso a tudo isso, e se punem os infratores — ainda que com legislação especial —  a partir dos… 12 anos! Na Finlândia, na Suécia e na Dinamarca, países que disputam os primeiros lugares no IDH, a partir dos 15.

Carvalho finge acreditar que, quando todos tiverem acesso ao paraíso na terra, não haverá mais bandidos, não haverá mais assassinos. O secretário-geral da Presidência, em suma, quer deixar a legislação como está porque deve acreditar que o seu entendimento muito particular do humanismo pode abrigar os cadáveres de alguns inocentes. Há mais: na prática, ele está a dizer que ou esses benefícios todos são garantidos, ou o assassinato de inocentes vira uma consequência forçosa e natural. Logo, segundo esse ponto de vista, quem matou Deppman não foi aquele vagabundo, que fez 18 anos três dias depois, mas “a sociedade”.
Por Reinaldo Azevedo

Petismo – amoral no princípio e imoral na prática

O PT decidiu colher assinaturas para uma emenda de inciativa popular propondo o financiamento público de campanha. Já escrevi a respeito. É um modo, sustento, de tentar engolir os amigos, especialmente o PMDB. Explico no artigo por quê. Mas o partido não para por aí. Decidiu dar início a uma campanha publicitária contra a corrupção. A cúpula discutiu ontem a iniciativa, informa a reportagem da Folha. Presentes ao encontro, José Dirceu e José Genoino. A cara de pau dos petistas não tem paralelo na história. Duvido que alguém consiga repetir esses prodígios. É impressionante mesmo!

Os petistas vão sustentar que é o financiamento privado de campanha a mãe de todas as corrupções. Trata-se de uma mentira deslavada. Quando se é corrupto e se está no governo, as possibilidades são infinitas. O financiamento de campanha é café pequeno caso se considere o volume de recursos movimentado pelo governo — ou pelos governos. Quer dizer, então, que não pode haver safadeza, por exemplo, numa obra do PAC fora de período eleitoral? Será mesmo que os superfaturamentos que estão por aí apenas compensam doações eleitorais? Essa é uma das maiores lorotas das que estão aí no mercado de ideias. Considerem: uma simples dispensa de licitação pode render o valor correspondente a centenas de doações.

Vejam (em vermelho) como termina a reportagem da Folha:
O partido pretende coletar, até fevereiro, cerca de 1,5 milhão de assinaturas para apresentar o projeto [de financiamento público].
Estão previstos, no dia 16, quatro eventos, em Minas Gerais, no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e em São Paulo — este último com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na comemoração do aniversário do Sindicato dos Bancários.

Fabuloso! O PT vai fazer uma campanha publicitária contra o financiamento privado de campanha e coordenar a emenda da falsa “iniciativa popular” — já que será um trabalho partidário.

Um dos eventos contra o financiamento privado será feito junto com a comemoração do aniversário do Sindicato dos Bancários. Ora, por definição, um sindicato reúne trabalhadores das mais diversas colorações políticas. Por que atrelar a festividade ao petismo? Porque é uma franja do partido.

Escrevi no texto em que critico a proposta petista (em azul):
(…) se o PT conseguisse proibir as doações privadas, continuaria, não obstante, a ser a única legenda a poder usar esses recursos, ainda que de modo sorrateiro. Cansamos de ver, campanha após campanha, a mobilização da máquina sindical, das ONGs e dos movimentos sociais em favor do partido. Ora, isso corresponde, não há como ignorar, a uma doação que pode ser estimada em dinheiro — além de ser intrinsecamente ilegal.

Bingo! No evento em que vai pedir financiamento público de campanha contra a corrupção, o partido vai se utilizar da máquina de um sindicato, que é seu cabo eleitoral. Sabem o nome disso? Financiamento privado — e sem prévia consulta a todos os sócios.

O PT é um partido amoral no princípio e imoral na prática.
Por Reinaldo Azevedo

A jornalista da Economist, a TIM e a infraestrutura precária do país

Da VEJA.com:
Helen explicou que, ao ir a uma loja da TIM para pedir explicações sobre a má qualidade do serviço, a atendente, “sorridente”, de acordo com o relato, informou não só que a empresa havia fechado muitos contratos no ano e que isso deixava a rede sobrecarregada sempre, como também disse que levaria alguns anos para a companhia conseguir ajustar sua infraestrutura ao número de novos consumidores. Diante disso, a jornalista tomou a decisão de trocar seu número pelo de uma operadora concorrente, fazendo a chamada “portabilidade”.

Mas, segundo seu relato, foi aí que a saga começou. Depois de ela e sua assistente acumularem 20 protocolos de ligações e passarem 15 horas em lojas da operadora para tentar transferir seus números (Helen tinha mais de uma linha), a jornalista finalmente conseguiu fazer a troca, ainda que tenha ficado quase sem acesso móvel a e-mails por um mês.

Mas as dores de cabeça não pararam por aí. Por seis meses, ela recebia contas da TIM referentes às linhas que já tinham sido transferidas e chegou até a ameaçar entrar com um processo contra a operadora se o problema não fosse resolvido. Mesmo assim, três novas cobranças chegaram à sua casa. “Cada uma das operadoras falou que o problema de dupla-cobrança era de sua concorrente”, conta a jornalista.

Depois dos transtornos com a dupla cobrança, a jornalista pediu o cancelamento da conta da TIM — ainda ativa porque porque a portabilidade ainda não estava resolvida. Contudo, mesmo depois do cancelamento, a linha continuou funcionando, o que mostrava que o erro de cobrança era da TIM, e não da concorrente. Cinco meses depois de achar ter se livrado do problema, Helen recebeu outra fatura da TIM — e descobriu que a operadora jamais cancelara sua linha. Depois de inúmeros telefonemas, a operadora “concordou” em cancelar a linha sem cobrar nenhuma multa. “O que parece uma história chocante para estrangeiros é, infelizmente, familiar para brasileiros. O serviço de telefonia móvel do país é muito caro e pouco confiável”, escreveu Helen.
Por Reinaldo Azevedo

A era dos indecorosos – Menos de uma semana depois, o assassino de Victor Hugo Deppman já tem mais advogados nos jornais do que a família do morto. Ou: A morte e a morte de Victor Hugo

Victor Hugo, executado com um tiro na cabeça: do seu assassino, não se podem conhecer nem cara nem nome. Em três anos, terá a ficha limpa

Conforme o esperado e o previsto, a grita contra a alteração da maioridade penal de 18 para 16 anos já é bem maior e bem mais presente na imprensa do que as manifestações de indignação com a morte de Victor Hugo Deppman. Ele levou um tiro na cabeça na terça-feira à noite em frente ao prédio onde morava, no bairro de Belém, na Zona Leste de São Paulo. Estava com as mãos para o alto, não esboçou a menor resistência. Aceitou entregar o que o outro lhe pedia. Não foi o bastante. Depois de lhe tomar o celular, o bandido o executou com um tiro na cabeça. Deppman tinha 19 anos. Do assassino, não saberemos nem o nome. O Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe a divulgação. Ele era um “dimenor” por mais três dias apenas. Setenta e duas horas depois de matar Deppman, completou 18 anos. Tivesse já feito aniversário, saberíamos quem é ele e poderia ser processado por latrocínio — um crime hediondo. Como era um “dimenor”, ficará internado no máximo — isso quer dizer que pode sair antes! — três anos. Sob nenhuma hipótese, continuará detido depois dos 21. Saíra da Fundação Casa com a ficha limpa. A consciência jurídica nacional, cuja moral foi carcomida pela patrulha politicamente correta, acha que tem de ser assim.

Se o assassino de Deppman não tiver a consciência pesada — não parece que seja o caso —, o evento vai lhe sumir da memória. O Estado brasileiro assegura que a morte jamais apareça na sua ficha. A vida de Deppman custará um recolhimento  — não é prisão! — de meros três anos, e depois o dito-cujo poderá circular livremente por aí. Ele já tinha sido apreendido por roubo duas vezes. Mas, sabem como é, “dimenor” que era, foi solto. Um dia um estudante de Rádio e TV, um trabalhador, um filho, um namorado, um amigo de muitos amigos teve a má sorte de encontrá-lo pelo caminho. E morreu.

O estado brasileiro, e isso é estupidamente escandaloso!, garante o apagamento da história. Por alguma estranha razão, o assassino de Deppman é considerado a verdadeira vítima. É como se a vida daquele rapaz fosse uma espécie de preço que a sociedade paga por sua perversidade. É como se o jovem Deppman devesse arcar pessoalmente por, sei lá, o sistema de iniquidades sociais no Brasil. É como, em suma, se as iniquidades, ainda que verdadeiras, realmente fizessem assassinos.

Se fôssemos fazer um pouco de história das ideias, é claro que encontraremos nessa visão de mundo ecos de uma interpretação muito peculiar de luta de classes, que garante o direito ao assassinato. Não que os comunistas originais repudiassem homicídios, inclusive em massa. Longe disso! Ninguém teorizou sobre a morte como eles — mas não para esse tipo de banditismo. Aliás, todos os países comunistas, sem exceção, adotaram a pena de morte — que vigora nos que ainda se dizem partidários desse regime. Fôssemos recuar ainda um pouco mais, bateríamos em Rousseau, o suíço moralmente tarado, capaz de entregar os próprios filhos para a assistência pública porque, afinal, considerava que os homens nascem bons e são corrompidos pela sociedade.

Esses que se arrepiam só de ouvir falar em baixar a maioridade penal estão convencidos de que o dito-cujo que matou Deppman o fez premido por circunstâncias que não foram de sua escolha. Não perguntam por que outros, submetidos às mesmas ou muito mais severas condições, escolheram trabalhar, respeitar o próximo, lutar para enfrentar as próprias dificuldades. No fim das contas, essa gente acredita que existe uma moral particular na pobreza que contempla o assassinato.

Juristas saíram combatendo a ideia. Gilberto Carvalho saiu combatendo a ideia. Michel Temer saiu combatendo a ideia. Todos eles falaram, com palavras variadas, que o Brasil precisa é dar mais atenção a seus jovens, melhorar a escola etc. Sim, é verdade! Mas assassino precisa é de cadeia.

Aliás, meus caros, é uma estupidez a frequência com que os homens públicos no Brasil e as ditas elites bem-pensantes articulam o binômio “cadeia-escola”. Quem gosta de fazer essa confusão pode não oferecer cadeia a quem precisa de escola (até porque fazê-lo é muito caro), mas fatalmente acabará oferecendo escola a quem precisa de cadeia — e aí elas é que se transformam em verdadeiros centros de violência, inclusive contra os professores.

Boa intenção e vigarice
É claro que reconheço que há pessoas de boa intenção a sustentar que a “diminuição da maioridade penal para 16 anos não resolveria o problema”. Mas o que significa, afinal, “resolver o problema”? De qual “problema” se está a falar? Já abordo essa questão em particular. Antes, algumas palavras à turma da má-fé ou da má consciência.

É vigarice intelectual consciente, estudada, tratar a maioridade penal aos 18 anos como se fosse uma medida de bom senso, mundialmente adotada, e estivessem alguns reacionários no Brasil querendo introduzir na legislação uma jabuticaba autoritária. Ao contrário! A maioridade penal aos 18 anos é que é a exceção! A esmagadora maioria dos países adota, vamos dizer, uma idade de corte abaixo dessa. Nações as mais civilizadas da Terra nem mesmo estabelecem um limite. Cada caso é um caso segundo a sua gravidade. O que se evita é juntar o jovem criminoso com os adultos, o que me parece uma medida sensata.

Os que estão convictos de que as leis que estão aí devem ser mantidas deveriam, em vez de fazer discursos sobre a sociologia da pobreza — geralmente, sem conhecer o assunto, com base no puro achismo e no suposto bom coração —, demonstrar a eficiência da legislação; deveriam demonstrar que elas servem para proteger a sociedade e concorrem para a sua tranquilidade. E aqui chego ao outro aspecto da questão, que larguei solto dois parágrafos atrás.

Para que servem as penas?
As penas devem concorrer, sim, para a ressocialização do criminoso e coisa e tal. Mas essa é uma de suas dimensões. Pena é, e deve ser, principalmente punição, aplicada segundo os fundamentos que regem os direitos humanos — isso não está sob debate, embora as cadeias, no Brasil, no mais das vezes, sejam verdadeiros pardieiros.

A pena é o que cobra a sociedade pelo agravo sofrido, ora essa! Ou é isso, ou é o estado da natureza. Coloquem o meu nome em todas as petições para humanizar os presídios. Quem pode ser contra isso? Mas não acho razoável que,nestepaiz, um condenado por crime hediondo possa ficar preso em regime fechado seis, sete anos apenas. Como não há instituições para regime semiaberto, sai dali para casa. E pronto! Já a morte, bem, essa não tem regime de progressão, não é mesmo? Machado disse em “Esaú e Jacó” que ela é um “estado de sítio permanente”. Eu digo que é a ditadura perfeita.

No caso do “ dimenor”, a vida do outro vale três anos, com a garantia do apagamento da memória. Em 2016, o dito-cujo que matou Deppman estará solto. Se ficar pela vizinhança antiga, os próximos saberão quem é ele. Se mudar, nem isso. Poderá se empregar, sei lá, como servente de escola, jardineiro de residências, motorista… Mais: pode se inscrever num desses cursos oferecidos por empresas de segurança e se tornar um guarda privado armado. Se seu nome desaparece dos registros, pode até mesmo integrar uma força pública de segurança. O Estado lhe terá dado três anos para refletir sobre os seus atos…

E Deppman? Restará na memória de seus familiares pra sempre, de seus amigos por muito tempo e só. Não terá descendentes. Um dia ele teve a má sorte de cruzar com o dito-cujo, e um pedaço da história humana — sim, é isto mesmo — acabou ali. A estúpida incultura religiosa desses tempos (e não estou chamando de estúpidos os que não creem, deixo claro!) vive se perguntando por que Deus permite isso e aquilo, mas pouco se pergunta por que os homens permitem isso e aquilo. O dito-cujo, a três dias de completar 18 anos, decidiu que poderia interromper o fio do destino de Victor Hugo Deppman. E se forma, na prática, um verdadeiro coro não exatamente em defesa do assassino — que a tanto a estupidez ainda não chegou —, mas em defesa daquilo que ele representaria.

E o que, afinal de contas, ele “representaria”? A luta entre os supostos “progressistas”, que defendem um Brasil mais justo e mais humano, e os “reacionários”, que estariam querendo se aproveitar de um caso como esse para fazer a sociedade regredir. Mas “regredir” exatamente a quê? Afirmar, como valor, que a vida humana não pode valer tão pouco; sustentar que ninguém pode sair por aí brincando de Deus e determinando quem vive e quem morre; deixar claro que esse comportamento não é aceitável e será severamente punido… Serão mesmo esses valores “reacionários”? Respondo o óbvio: não! Nem aqui nem em qualquer outra democracia do mundo, que não condescende com seus assassinos, como condescendemos com os nossos.

A tragédia humanista — o nome é esse mesmo! — dessa visão de mundo é que ela decide passar a mão na cabeça de homicidas pensando estar respondendo, de maneira eficiente, a outras questões, como a luta contra a desigualdade, as injustiças sociais, a miséria, a pobreza, escolham aí… Mal se dão conta esses iluminados de que são justamente os pobres os que mais sofrem com esse estado de coisas. Não é a Vila Nova Conceição, Higienópolis, Ipanema ou Leblon que fornecem, todos os anos, a carne barata dos 50 mil homicídios. Esses mortos estão nos morros e nas periferias. Punir os homicidas, podem acreditar, é uma forma de fazer justiça social, sim, senhores! E é também uma resposta necessária ao bom funcionamento da sociedade e, SIM, SENHORES!, AO LUTO DOS QUE PERDERAM AQUELES A QUEM AMAVAM.

Os pais de Victor Hugo Deppman

José Valdir Deppman, pai de Victor Hugo: sua voz está sendo esmagada pela vigarice moral

Penso com compaixão e com sofrimento na família de Victor Hugo Deppman. Vi uma foto de seu pai, José Valdir, no jornal, devastado pela dor. Uma parte de nós vai com quem amamos. Pior quando a pessoa nos é arrancada. Este senhor não tem voz. Os políticos, os juristas, as ONGs, a partir de agora, tomam conta do debate. Seu filho vira peça de uma equação, de um debate de natureza intelectual.

Daqui a três anos, o dito-cujo, sob a proteção do Estado, poderá dividir a rua com o pai de Victor Hugo, o ônibus, o vagão do metrô. A José Valdir, não será permitido saber nem o nome nem a cara do assassino.

É como decretar a morte de Victor Hugo pela segunda vez. Chamam isso de justiça. Eu chamo de iniquidade.
Por Reinaldo Azevedo

Primeiro escalão de Dilma utiliza jatinhos da FAB em viagens de agenda ‘maquiada’

Por Débora Bergamasco, Fábio Fabrini e Mariângela Gallucci, no Estadão:

Integrantes do primeiro escalão da presidente Dilma Rousseff usam jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB) para viagens de agenda “maquiada”, onde misturam compromissos oficiais e eventos não relacionados às suas atividades no governo. Também recorrem às aeronaves privê para voltar para casa no fim de semana, quando poderiam optar por voos comerciais disponíveis nos mesmos horários.

Em pouco mais de dois anos de governo Dilma, os voos em jatinhos do primeiro escalão somam uma distância equivalente a dez vezes o caminho de ida e volta à Lua. Foram 5,8 mil voos, com custo estimado de R$ 44,8 milhões, segundo cálculo feito pelo professor Fernando Martini Catalano, chefe do Departamento de Engenharia Aeronáutica da USP em São Carlos, a pedido do Estado – a FAB não divulga o número por considerá-lo “estratégico”. No início do mandato, Dilma recomendou parcimônia no uso dos jatinhos. Isso não impediu que os pousos e decolagens aumentassem 5% de 2011 para 2012 e o tempo de voo crescesse 10%.

O decreto presidencial 4.244, de 2002, define as prioridades de utilização das aeronaves: emergências de segurança ou médica têm preferência. Depois, vêm as viagens a serviço. Recorrer ao táxi aéreo público para deslocamento às residências nos Estados aparece apenas como terceiro item de prioridade de uso.

São 18 aeronaves à disposição de ministros, vice-presidente da República e presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal. Dilma tem dois jatos, exclusivos da Presidência.

Agendas. O ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Luís Inácio Adams, recorreu a um Embraer ERJ 145, com capacidade para ao menos 36 passageiros, para visitar, em 22 de agosto de 2011, uma segunda-feira, o ex-presidente Lula no Instituto Cidadania, em São Paulo. A preços de hoje, a viagem nessa aeronave custaria cerca de R$ 6,6 mil, ante R$ 700 em trecho de carreira, cotado, para o mesmo horário, com três dias de antecedência. Apesar de estar entre as atribuições da AGU cuidar de casos envolvendo ex-presidentes, a agenda oficial de Adams não registrou o evento.

O então ministro da Educação, Fernando Haddad, também participou do encontro com Lula. Discutiu sua futura candidatura à Prefeitura de São Paulo. Ele havia chegado ao interior de São Paulo, também de jatinho público, na sexta-feira anterior para eventos do governo em São José dos Campos. Justificou sua permanência na capital paulista dizendo que teria de dar uma entrevista, como ministro, a uma rádio na segunda-feira. Horas depois estava com Lula falando da eleição municipal.

Vice
Em 16 de janeiro deste ano, o vice-presidente Michel Temer, chefe do PMDB, solicitou um Embraer ERJ 135 para decolar de Brasília para São Paulo, às 18h. Na manhã seguinte, passou o dia a serviço do partido, negociando a candidatura do deputado peemedebista Henrique Eduardo Alves (RN) ao comando da Câmara. À noite, participou de jantar de apoio ao parlamentar num restaurante dos Jardins. “É a vez do PMDB”, disse o vice-presidente no evento. Sua agenda não registra nenhuma tarefa de governo na data.
(…)
Por Reinaldo Azevedo

Chávez está morto, e o chavismo também! Fraude tira a eleição do oposicionista Capriles; Maduro é “eleito” com menos de 2 pontos de diferença. É roubo!

Bingo!

Escrevi ontem aqui: “É a ditadura que sustenta o chavismo, não é o chavismo que sustenta a ditadura”. Com essas palavras, chamava a atenção para o fato de que é mentirosa a versão de que a sociedade venezuelana foi mesmerizada pelo tirano e de que a oposição representa não mais do que a vontade de uma extrema minoria. Nicolás Maduro, que já exerce o poder de forma ilegítima — cuja posse foi legalizada por uma Corte de Justiça composta de eunucos —, foi declarado o vencedor das eleições deste domingo. Com pouco mais de 99% da apuração concluída, obteve 50,66% dos votos, contra 49,07% do oposicionista Henrique Capriles, que não reconheceu o resultado e pediu a recontagem do total de votos, não de apenas uma parte. Os oposicionistas dizem ter recebido mais de 3 mil denúncias de fraudes, vindas de todo o país. No discurso da “vitória”, Maduro diz concordar com a recontagem, mas tentará sabotá-la, podem ficar certos.

O resultado representa uma humilhação para todos os institutos de pesquisa. A diferença mínima que se apontava era de 7,2 pontos percentuais; havia quem falasse em 12. Deve ficar em torno de 1,6 ponto. Eis aí: o chavismo, felizmente, morreu com Hugo Chávez. Ainda que se faça a recontagem de 100% dos votos e que a “vitória” de Maduro seja confirmava, é evidente que se trata de roubo e de fraude — mesmo que os votos tenham sido os declarados oficiais. Por quê?

A eleição na Venezuela não é nem livre nem limpa. Não é livre porque a oposição não dispõe dos mesmos instrumentos de que dispõe o governo para falar com a população. Chávez estatizou a radiodifusão no país, e as TVs e as rádios são usadas como porta-vozes oficiais do governo. O Beiçola de Caracas chegava a ficar no ar, por dia, até seis horas. Falava bem da própria gestão e demonizava seus opositores. As notícias passam por um severo serviço de censura interna, e só vai ao ar o que o governo considera “saudável” e “didático” para a consciência do povo. Os críticos do governo são tratados como larápios, como sabotadores, como malvados em defesa de privilégios.

É o modelo que a turma de José Dirceu e Rui Falcão gostaria de implementar no Brasil. É o que quer essa gente xexelenta, financiada por estatais, que pede “o controle da mídia” no Brasil — como se ela já não fosse petista o bastante e não estivesse, no mais das vezes, a serviço de grupos militantes. Mas eles, claro!, querem muito mais. Invejam o chavismo. Invejam Cristina Kirchner. Mas volto ao ponto.

As eleições na Venezuela, pois, não são livres, já que a oposição é obrigada a enfrentar uma estupenda máquina de desqualificação. Ainda assim, praticamente a metade dos que foram votar disse “não” ao chavismo. Isso é formidável! Significa que toda essa gente soube resistir à pressão oficial, especialmente de 5 de março a esta data, quando morreu o tirano. Chávez passou a ser tratado como santo. Declarou-se não apenas a sua imortalidade. Falou-se também na sua ressurreição. Quem se encarregou da peça publicitária indecorosa foi João Santana, o marqueteiro do PT.

Uma emissora estatal fez um desenho animado com a sua chegada ao céu. No céu do bolivarianismo, um monte de “heróis” latino-americanos divide uma choupana. Dante encontra Beatriz para conduzi-lo no paraíso. A gente teria de se apertar, numa cabana, entre outros, com Chávez, Guaiacaipuro, Sandino, Allende, Evita, Simón Bolívar e Che Guevara, que detestava tomar banho, daí o apelido de “Chancho”, o “porco”, o “fedorento”, o “porco fedorento”. Se o céu é isso aí, podem me mandar para o inferno. A choupana, eu já conheci na terra, mas com banho, que a gente pode, sim, ser pobre e limpinho e não matar ninguém (coisa que a esquerda ilustrada não sabe…).

As oposição também têm de enfrentar uma formidável máquina assistencialista. Chávez transformou a Venezuela num país dependente exclusivamente do petróleo, destruiu a indústria, arrasou a agricultura e passou a distribuir caraminguás da renda do óleo às populações mais pobres. É a sua versão do “Bolsa Família”. Só que essa distribuição de benesses é controlada por milícias — armadas! — que dominam as áreas mais pobres do país. A degeneração social é de tal sorte que Caracas é hoje uma das cidades mais violentas do mundo, com, atenção!, 122 mortos por 100 mil habitantes. A taxa, no Brasil, já escandalosa, fica em torno de 25. Mata-se em Caracas DEZ VEZES MAIS do que em São Paulo e quatro vezes mais do que no Rio.

O Chávez amado pelas massas — e, consequentemente, o chavismo supostamente invencível — é fruto da propaganda oficial. Se as oposições pudessem disputar em condições de igualdade e se houvesse imprensa livre no país, essa canalha já teria sido varrida do poder há muito tempo. Até porque a Venezuela continuará em espiral negativa porque o governo está infiltrado de delinquentes — alguns deles procurados internacionalmente por envolvimento com o tráfico de drogas. Parte da cocaína que circula hoje no EUA e no Brasil tem origem na Venezuela, que dá abrigo e apoio material aos narcoterroristas das Farc. É esse o governo para o qual Lula gravou um vídeo emprestando seu apoio entusiasmado.

Se as eleições não são livres, também não são limpas. As milícias chavistas assombram os locais de votação e aterrorizam os eleitores, especialmente os mais pobres. Assim, a Venezuela é hoje um país governado por um súcia autoritária, eivada de criminosos, sim! Se tiverem curiosidade, pesquisem sobre as denúncias feitas pelo juiz venezuelano Eladio Ramón Aponte Aponte. Ele era nada menos que o presidente do Superior Tribunal de Justiça, o STF da Venezuela, e um dos pilares do chavismo no Judiciário.

No ano passado, fugiu do país, entregou-se às autoridades americanas e declarou-se cúmplice da máfia do tráfico de drogas no país, com a qual, afirma, está envolvida a alta cúpula do chavismo. Reproduzo trecho de reportagem de José Casado, de abril do ano passado, no Globo:

“[o juiz] Citou especificamente [como envolvidos com o tráfico]: o ministro da Defesa, general de brigada Henry de Jesus Rangel Silva; o presidente da Assembleia Nacional, deputado Diosdado Cabello; o vice-ministro de Segurança Interna e diretor do Escritório Nacional Antidrogas, Néstor Luis Reverol; o comandante da IVa Divisão Blindada do Exército, Clíver Alcalá; e o ex-diretor da seção de Inteligência Militar, Hugo Carvajal.
O juiz Aponte Aponte conheceu a desgraça em março, quando seu nome foi descoberto na folha de pagamentos de um narcotraficante civil, Walid Makled. Convocado para uma audiência na Assembleia Nacional, desconfiou. Na tarde de 2 de abril, ajeitou papéis em uma caixa, deixou o tribunal e entrou em um táxi. Rodou 500 quilômetros até um aeroporto do interior, alugou um avião e aterrissou na Costa Rica. Ali, pediu para entrar no sistema de proteção que a agência antidrogas dos EUA oferece aos delatores considerados importantes.”

Eis aí o governo que conta o integral apoio do Brasil. Lula gravou um vídeo em apoio a Maduro, e Dilma deu um golpe no Mercosul, com o apoio de Cristina Kirchner, para afastar o Paraguai e levar para o bloco essas flores do bem.

A Venezuela disse “não”! A despeito da propaganda, a despeito das mistificações, a despeito da truculência, a despeito da violência, metade dos eleitores — mesmo na contagem chavista — disse “não” à continuidade do regime. Numa democracia, essa canalha não teria chance.

Eis aí por que é preciso ficar atento e cuidar dos marcos legais e institucionais. As modernas ditaduras na América Latina, reitero, não se instalam com tanques, mas com golpes legais, como os que Chávez foi aplicando em seu país de maneira dedicada e meticulosa.

Nesta semana, o PT dá início a uma campanha em favor do financiamento público de campanha. É uma tentativa de, por intermédio de um golpe legal, garantir a permanência do PT no poder ainda que, um dia, o povo não queira. Vejam o caso da Venezuela: é claro que a maioria da população não quer mais o chavismo se puder escolher seu destino de modo soberano.

Chávez está morto.
O chavismo sobreviveu pouco mais de um mês e morreu também.
Nicolás Maduro é só um cadáver adiado, o último suspiro de um delírio totalitário na América Latina.
Por Reinaldo Azevedo

Milícias bolivarianas, com o apoio do governo e da TV, convocam festa da vitória

Ao mesmo tempo em que diz aceitar uma auditoria no processo eleitoral, Nicolás Maduro, por intermédio das milícias bolivarianas, convocou um ato público para esta tarde para proclamar-se presidente eleito da Venezuela. O mais espantoso: a convocação é feita por intermédio das TVs e das rádios sob o controle do governo. Que se note: Henrique Capriles, o candidato da oposição, não está pedindo uma simples auditoria, o que poderia ser feito por amostragem, ou a revisão desta ou daquela seções eleitorais. Ele quer a recontagem total dos votos. O comando de sua campanha recebeu neste domingo mais de três mil denúncias de fraude em todo o país. Com 99% da apuração concluída, Maduro tem, oficialmente, 50,66% dos votos, contra 49,07% de seu opositor. O resultado surpreendeu e assustou o chavismo. As pesquisas mais pessimistas para os bolivarianos apontavam uma diferença superior a sete pontos. Fosse a Venezuela uma democracia, em que todas as forças políticas gozassem de direitos iguais, o chavismo já teria sido varrido do poder há muito tempo.

Fui olhar o mapa eleitoral da Venezuela. E estou mais convicto ainda de que o chavismo foi para o vinagre. Felizmente. Mas fica para o próximo post.
Por Reinaldo Azevedo

A forma como a imprensa faz poesia da discriminação de classe no Rio quase me comove, mas consigo me conter

Caos nesta segunda no transporte público da cidade do Rio, com a decisão da Prefeitura de proibir a circulação de vans em grande parte da Zona Sul. O Rio é mesmo uma cidade maravilhosa. A maneira como os pobres são discriminados por ali, e com o apoio de grande parte da imprensa, beira a poesia, o estado de arte. A medida foi tomada depois que uma turista foi estuprado no interior de uma van, e seu namorado, espancado. Como não existe controle sobre essa modalidade de transporte público, o jeito é ser radical: nada desses veículos na Zona Sul, onde circula, afinal, a maior parte dos turistas. O raciocínio, não fosse seu caráter obviamente discriminatório, faz sentido: com menos vans, menos riscos. E se tem, adicionalmente, a impressão de que se tomou uma providência. Antes que continue — e para desfazer mal-entendidos —, é preciso apontar a culpa de São Paulo (ou de uma de suas gestões).

As vans no transporte público são, prestem bem atenção!, uma herança maldita do PT. Sim, senhores! Essa modalidade inicialmente clandestina começou na gestão de Luíza Erundina na capital paulista e não foi reprimida a tempo. Ao contrário: foi até estimulada. Os petistas achavam que, assim, encostavam contra a parede os capitalistas selvagens. Eram tempos em que os petistas ainda não viviam em mutualismo com o… capitalismo selvagem! Logo algumas de suas franjas se ligaram ao crime organizado e, aí, adeus! Nunca ninguém mais conseguiu acabar com a praga.

À época, especialistas alertaram para seu caráter deletério. Estimular esse tipo de, digamos assim, “iniciativa privada” informal numa área de prestação de serviço que tem de ser regulada porque usa o aparelho urbano seria fonte permanente de problema. Não deu outra! Mas o PT jamais resistiu à tentação de apresentar uma resposta simples e errada para um problema difícil. De São Paulo, a doença se espalhou para o Brasil inteiro, chegando ao estado de arte no Rio. E não é assim em razão da índole particular do carioca. É que essa informalidade encontraram naquela geografia e naquela topografia o ambiente ideal para prosperar. As vans podem chegar a lugares aonde os ônibus não chegam.

Ora, à medida que as empresas começaram a dividir passageiros com esse novo serviço, foram adaptando seus investimentos à nova realidade de mercado — em São Paulo, no Rio e em qualquer lugar. As vans deixaram de ser apenas uma alternativa para quem queria um pouco mais de rapidez e conforto (ou que fazia um trajeto não servido por ônibus ou metrô) e passou a ser um serviço necessário. Elas supriram parte do crescimento da demanda por transporte público. Não se corta isso da noite para o dia sem transtornos severos.

E é o que viu no Rio. Reproduzo (em vermelho) trecho de reportagem da Folha.Volto em seguida.
*
O primeiro dia de proibição da circulação de vans e Kombis em bairros da zona sul do Rio causa transtornos, desde o início da manhã desta segunda-feira (15), para moradores da cidade. Por volta das 7h, alguns ônibus seguiam lotados com passageiros pendurados nas portas. Trabalhadores ficaram revoltados com o atraso de até uma hora dos ônibus, que na maioria das vezes passavam superlotados e não paravam nos pontos. “Estamos na fila [do ônibus] há quase uma hora porque eles passam cheios e não param. Sempre peguei van da Ilha do Governador [zona norte] para Ipanema e nunca tive problema. Agora tive que fazer baldeação na Leopoldina [no centro] e enfrentar esse caos para chegar no trabalho”, lamentou a costureira Nadmar Almeida, 47.

Muitos passageiros reclamaram que a mudança vai prejudicar quem depende do transporte público na cidade. “É maldade o que estão fazendo com a gente. Estamos viajando esmagados nesses ônibus lotados”, disse o cozinheiro Josenildo Alves da Silva, 47, que seguia da Leopoldina para o Leblon. Às 9h30, uma manifestação da categoria fechou a avenida Delfim Moreira, no Leblon. O protesto provoca um enorme engarrafamento na pista sentido Copacabana, zona sul.

Segundo decreto do prefeito do Rio, Eduardo Paes, publicado na quinta-feira (11) no “Diário Oficial” do município, as vans não podem mais circular na zona sul da cidade no bairros de Botafogo, Humaitá, Urca, Leme, Copacabana, Ipanema, Leblon, Lagoa, Jardim Botânico, Gávea e São Conrado.
(…)

Voltei
Aqui e ali, a gente lê que os ônibus e o Metrô procurariam se reorganizar para suprir a demanda por transportes. Pelo visto, não adiantou. E não teria mesmo como adiantar. Reitero: depois de anos cumprindo um papel da demanda por transporte público, não se muda a realidade por decreto.

Eu fico imaginando qual seria a abordagem da imprensa, inclusive da carioca (da paulistana, com certeza absoluta!), se a administração pública decidisse tomar uma medida como essa nos bairros ricos da cidade. Convenham: uma tolice dita por uma moradora de Higienópolis — não pelo bairro, já que bairro não fala nem pensa — gerou um “movimento social”. Ela, com todo o direito a ter uma opinião (ou alguém lho havia cassado?), ainda que idiota, afirmou que não queria estação de metrô no bairro porque isso atrairia “gente diferenciada”. E lá foram os petistas mais alguns xexelentos, com amplo apoio da imprensa, fechar ruas para fazer o “churrasco da gente diferenciada”. Cheguei a ler verdadeiros ensaios nos jornais, da mais pura antropologia butequeira, demonstrando como esta é a cidade da exclusão e coisa e tal. No Rio, não! Todos terminam na mesma gafieira da Glória Perez e no paraíso de Dante do Complexo do Alemão…

Mas, como se vê, não há perigo de haver uma abordagem crítica nem mesmo de uma medida que tem óbvio caráter discriminatório. Não só se cria uma área da cidade onde “esse tipo de coisa não entra” — por que não? — como se punem os pobres que trabalham na Zona Sul e dependem do transporte público.

“Olhe o Reinaldo defendendo as vans…” Uma ova! Eu acho que é preciso começar a tomar medidas para acabar com elas. Mas, antes, é preciso oferecer uma alternativa aos que se tornaram dependentes das vans não por escolha, mas por culpa da incúria do Poder Público.

Dizem que sou conservador. Uns bestalhões me acusam de reaça. Não dou a mínima. O fato é que tenho asco de discriminação, inclusive da dita “discriminação positiva”… Pouco me importa se o cartão postal que serve de fundo tem o rio Tietê ou a tardinha que cai, o barquinho que vai e outros diminutivos turísticos.
Por Reinaldo Azevedo

Fonte: Blog Reinaldo Azevedo, de VEJA



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